DULCE
Depois que Christopher saiu limpei as lágrimas e peguei meu celular que estava vibrando no meu bolso, era do hospital que meu pai estava internado.
- Alô – atendi com as mãos trêmulas.
- Dulce – era o médico do papai – Que bom que atendeu – suspirou aliviado e meu coração deu um pulo, minha mente já começava a imaginar coisas ruins.
- O que aconteceu doutor? – perguntei preocupada.
- Precisa vir para o hospital, o estado do seu pai piorou – minhas pernas bambearam e precisei me segurar na mesa pra não cair – Não é algo que eu goste falar pelo celular, mas ele pediu pra te ligar, ele quer te ver.
- Eu vou pra ai agora mesmo – garanti com a voz embargada.
[...]
Dirigi o mais rápido que consegui e quando cheguei ao hospital o médico já me esperava.
- Eu não queria te deixar desesperada – ele falou em tom culpado, ele deve ter reparado no meu estado que devo admitir estava péssimo. Meus olhos vermelhos e o rosto inchado de tanto chorar.
- Não tem problema – respirei fundo – o que houve com meu pai?
- Fizemos outros exames e vi que o câncer se espalhou para os outros órgãos – mordi o lábio nervosa – Não há nada mais que possamos fazer pelo Pedro, eu sinto muito.
- Eu posso vê-lo? – perguntei com a voz falha. Parte de mim queria desmoronar, mas me forcei a ficar calma.
- Sim, é claro – confirmou – Ele pediu a sua companhia e disse pra não avisar mais ninguém.
- Certo – assenti e caminhei até o quarto.
Quando abri a porta vi a pior cena da minha vida, acho que da qual eu nunca esqueceria, papai estava deitado, cercado por alguns aparelhos, ele estava pálido e magro, olheiras fundas e respirava com dificuldade.
- Filha – falou com a voz fraca, fechei a porta e respirei fundo caminhando até ele.
- Oi papai – beijei sua testa e ele deu um pequeno sorriso - Como está?
- Me sinto...exausto – suspirou. Meus olhos lacrimejaram e eu abaixei o olhar, ele segurou minha mão a acariciando – Não chore meu amor...está tudo bem...eu sei que estou morrendo.
- Eu queria tanto poder fazê-lo melhorar, daria qualquer coisa pra te ver bem – solucei.
- Você já fez tudo por mim Dul – ele tossiu cansado – está na hora de eu partir, e....eu quero ir sabendo que você está bem...que vai seguir sua vida, ter filhos, uma família imensa com o Christopher, ter sucesso no trabalho – ele respirou fundo tentando falar. Eu nem sabia o que lhe dizer, minha relação com Christopher tinha passado de um mar de rosas para um furacão tão rapidamente que eu nem tinha tido tempo pra pensar na situação.
- Estou com tanto medo – falei chorando.
- Não fique – pediu baixinho, o abracei e ele me aconchegou seus braços – Eu te amo filha.
- Eu te amo papai
Deitei ao seu lado ainda o abraçando e me encostei em seu peito, como eu fazia quando era pequena. Nós dois ficamos em silêncio, nada mais precisava ser dito e por mais que eu estivesse apavorada com a situação, eu sabia que meu pai estava certo. Ele já havia sofrido tanto que merecia descansar.
A noite foi longa e tortuosa, a cada momento uma enfermeira ou médico entravam no quarto pra checá-lo. A cada hora a respiração de papai ficava mais fraca, eu não tinha conseguido parar de chorar durante esse tempo. Quando já estava amanhecendo ouvi o barulho do aparelho que media seus batimentos cardíacos, o som estridente avisando que seu coração tinha parado. A enfermeira que havia entrado desligou o aparelho e tudo ficou silencioso.
Fechei os olhos soluçando mais uma vez, a dor que me tomava era tão grande que eu não sabia se conseguiria aguentar.
- Vá em paz – sussurrei para seu corpo imóvel e gelado.
CHRISTOPHER
Sai de casa morrendo de raiva, eu podia sentir meu sangue fervendo por causa do que vi. A Dulce beijando aquele homem tinha acionada em mim um ciúme que nunca tinha tido. Preferi sair e esfriar a cabeça e depois decidir o que faria. Eu era muito impulsivo e não queria fazer algo que eu me arrependa depois.
Já era de madrugada quando decidi voltar pra casa, não sabia o que encontraria, mas eu tinha que arriscar. Anna havia deixado as luzes ligadas pra mim, provavelmente porque era tarde e ela já havia ido dormir. Subi até o quarto devagar esperando encontrar Dulce, mas ela não estava lá, devia ter dormido em algum quarto de hospedes depois da nossa briga.
Respirei fundo e fui tomar um banho, em seguida deitei e tentei dormir, mas minha mente não me deixou descansar.
[...]
Saí de casa depois de tomar café, não vi Dulce e Anna também não falou dela, não quis perguntar. A empresa estava movimentada e eu logo tratei de ir para minha sala e pedi a minha secretária que cancelasse todas as reuniões, não estava com cabeça pra lidar com os negócios naquele momento.
Assim que me sentei, meus olhos pousaram na foto de nós dois juntos. Meu coração se apertou por me imaginar sem ela. Dulce havia virado meu mundo e perde-la não era algo que eu desejava. No entanto aquela cena de ontem havia mexido comigo.
Será que ela não estava satisfeita comigo? Não me amava mais?
Eram as perguntas que rondavam na minha mente quando Poncho entrou na sala sem bater, o olhei confuso.
- Você mandou cancelar a reunião com os sócios? Ficou maluco? – perguntou nervoso.
- Não...não fiquei maluco, apenas não estou com cabeça pra falar com eles – suspirei passando a mão no rosto.
- Ah não está com cabeça? – perguntou irônico – Agora eles estão furiosos me ligando - Suspirei mais uma vez fechando os olhos – O que aconteceu?
- Tive uma noite péssima – Poncho me olhou sem entender – Primeiro eu pego a Dulce beijando outro cara – ele arregalou os olhos – e depois nós brigamos, não consegui dormir a noite pensando nisso tudo.
- E o que ela disse? – perguntou desconfiado.
- Disse que foi ele que a beijou, que nunca faria aquilo e que me amava- falei nervoso.
-Era por isso que ontem nem falou comigo no corredor? – assenti - E você acreditou nela né? – o olhei boquiaberto.
- Confia nela?
- É claro, Dulce nunca faria nada pra te machucar, aquela mulher te ama e todo mundo vê isso – revirou os olhos e eu fechei os olhos me sentindo um burro – Desconfiou dela? – me deu um sermão.
- Eu estava com raiva e não quis ouvi-la, então fui dar uma volta de carro – Poncho me repreendeu com o olhar.
- Você é um idiota Christopher Uckermann – ele estava certo, eu devia ter escutado o lado dela, Dulce não era o tipo de pessoa que traía, mas na hora parecia tão real que eu comecei a agir feito um babaca.
- Ela não vai me perdoar – murmurei me sentindo culpado.
- Não mesmo – se sentou na cadeira na minha frente e suspirou – Bem que a Annie disse que esse Pablo ia causar problemas – sussurrou, mas foi o bastante para eu ouvir...
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Mi Nuevo Vicio - Vondy
RomanceQuando Dulce Maria aceitou se casar com Christopher Uckermann não pensou em como se envolveria profundamente com ele. Um homem que vira seu mundo de cabeça pra baixo e a transforma no melhor que ela pode ser.
