Capítulo 01

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Christian

Sempre morei em Dallence, uma cidade com pouco mais de meio milhão de habitantes, situada no sul do país. Eu e meus pais moramos aqui durante toda a vida - ou seja, desde sempre; meu irmão mais novo, porém, resolveu sair da zona de conforto e se mudou para Petrópolis (no Rio de Janeiro). E quase não vinha nos visitar. Até que...

ELE veio para o meu casamento - que acabou não acontecendo - e teve de permanecer por aqui por mais tempo do que gostaria, tenho certeza. Não ficou por vontade própria ou por gostar da vibe monótona da cidade a qual eu gosto de chamar de lar. Na verdade, as circunstâncias o prenderam à Dallence, e saber que sou o único culpado por toda essa situação acaba comigo.

Tanta coisa aconteceu em tão pouco tempo e hoje me vejo de pé, ao lado da janela do meu escritório, refletindo sobre meu passado. A porta da sala se abre bem devagar e uma figura alta, vestida adequadamente à ocasião, passa por ela. Segura uma pasta na mão direita e mantém um sorriso leve no rosto, já posicionada na frente da minha mesa.

- Bom dia. O senhor gostaria de falar comigo? - minha secretária pergunta gentilmente. - Como posso ajudá-lo?

- Bom dia, Jhey! - respondo. - Quero que faça um relatório para mim sobre a reunião de ontem. Ah! Não esqueça de atualizar aquela lista que lhe pedi.

- Sim senhor. Mais alguma coisa?

- Não. Já pode ir. - Fico analisando alguns arquivos no meu notebook. Pastas que contêm documentos importantes e projetos que precisam sair do papel com urgência.

- Com licença. - Ela caminha em direção à porta.

- Jhey! - chamo-a e ela se vira pra mim com um olhar meigo.- Depois que terminar o relatório e seus afazeres pode tirar a tarde de folga - comunico. E confesso que a expressão levemente decepcionada em seu rosto deixa-me bastante curioso a respeito do que ela está pensando.

- N-não precisa, de verdade, eu...

- Precisa, sim! Eu não vou aceitar objeções.. - Deixo escapar um leve sorriso no canto dos lábios. E ela sorri de volta

- Muito obrigada. Só quero deixar bem claro que qualquer coisa estarei aqui ao lado.

- E eu agradeço por isso.

Pouco tempo depois de se retirar de minha sala, vejo-a correndo atrás de minha mãe tentando impedi-la de invadir a minha sala. Tarde demais.

- Christian Rivera... - Ouço sua voz aguda ecoando pelo prédio. - Precisamos conversar agora. - Ela põe a bolsa sobre minha mesa de maneira autoritária.

- Mãe, não pode invadir meu local de trabalho desse jeito, estou ocupado não está vendo? - Eloíse revira os olhos.

- Claro que estou, mas você não para em casa e temos um assunto pendente que precisa ser deliberado com urgência. Eu poderia ter ligado, mas você também não atende o celular, o que me restou apenas uma alternativa: vir aqui - argumenta e acabo cedendo por medo dela passar o restante do dia tagarelando.

- O que a Sra. quer? - resmungo, impaciente. - Não ouse pedir mais dinheiro porque eu não tenho.

- Imagino que você já saiba - ela retruca, com bastante sarcasmo..

- Então, deixe-me adivinhar, é o Noah. Acertei? - Neste momento, ando de um canto a outro da sala. - Deveria parar de me pedir dinheiro para seus luxos pessoais e depois aparecer aqui com essas histórias nada convincentes de que o Noah precisa disso e daquilo. - Sra. Rivera me lança um olhar de desaprovação.

- Escute aqui, meu caro, você deve se lembrar que é por sua causa que seu irmão está doente. E já falei para não brincar com um assunto como esse.

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