Como dizer que estou agradecida por ser eles ali e não eu? Essas crianças parecem a encarnação do capeta. Teve uma demoniazinha mirim que puxou o cabelo do Katsuki, ao ponto de quase arrancar o couro. Dou um pulo no lugar, imitando uma expressão de dor quando um cara recebe um chute nas bolas.
– Essa foi na alma. – Desfaço a careta aos poucos, sentindo pena do coitado.
Depois de meia hora, quando a galera se cansa de ser humilhado, eles parecem criar um plano. Shoto joga gelo pelos cantos, lembrando um escorregador. Katsuki explode algumas partes para deixar algumas partes menos perigosas para as crianças. Ver eles trabalhando assim, é até fofo. Principalmente quando eles percebem que as crianças gostaram.
Um mini parque de diversões
– É ISSO AÍ!!!! – Jogo meus braços para cima, balançando os pom-pom. Eles conseguiram se superar nessa.
– Você é bem animada, né? – All Might coça o ouvido, parecendo surdo. Sorrio embaraçada. O cara já está com o pé quase na cova, agora o deixo surdo, é foda mesmo.
– Isso ai, girl!! – Mic levanta o polegar na minha direção, apoiando minha empolgação. Sinto fincadas no estômago, o que me faz lembrar que o efeito do analgésico está acabando
– Vou ir à lanchonete comprar um café!! – Me levanto, desfazendo os pom-pom, eles se transformam em um pequeno nevoeiro vermelho antes de dissipar-se no ar.
–Jovem Yumi e os Vilões?? – All Might se levanta, determinado a me acompanhar se necessário.
–Ta comigo, tá com Deus..... Ou não... –Faço dois com a mão e dou no pé, já do lado de fora me espreguiço, e vou até a lanchonete, mas sinto algo vir na minha direção, desvio e vejo o Tomura. –Se tivesse me acertado, eu te matava na base do soco!!! –Falo vendo que é a bala que tira Individualidade.
Me abaixo, pegando a bala que não foi muito longe. Giro-a entre meus dedos, notando que sua estrutura me lembra a de um projétil 9mm; entretanto, a agulha na ponta me recorda um dardo tranquilizante.
– Você está do lado errado, Matsubishi!! – A frase dita é tão clichê que perco até a vontade de provocá-lo.
– Eu não tenho lados. O Dabi é um mensageiro tão ruim assim? – Retruco entediada. Volto a fazer o meu trajeto anterior. – Aceita um café? – Aponto para a lanchonete, convidando-o.
–Precisamos conversar de qualquer maneira, um café é bom!! –Ele coça o pescoço e eu o acompanho até a lanchonete.
–Você já tentou usar manteiga de cacau? É bom para os lábios ressecados... – Batuco meus lábios. Atravessando a rua adentramos na lanchonete. – Como vai os planos maquiavélicos?
– Tudo seria mais fácil se viesse para o meu lado. – Tomura retruca ácido, fazendo-me cair na risada. Sentamo-nos na primeira mesa livre
– Tudo que vem fácil, vai fácil. – Descanso minhas costas no estofado, relaxando. Uma senhora de rosto gentil, aparece segundos depois. – Tia, vou querer dois donuts de chocolate e um café com uma colher de açúcar.
– E você senhor? – A senhora abre um sorriso ao me ouvir e se vira para o rapaz a minha frente.
– Só um café!! – Tomura diz sem tirar os olhos de mim. A garçonete se despede com um breve "Volto logo".
–Ta tentando me recrutar mas eu já recusei.... Acho que essa é a segunda vez!! –Falo com Alzheimer. –Ou é a terceira... Talvez seja a terceira agora... –Começo a divagar.
– Quero saber como é o seu lado. – O maluco se debruça sobre a mesa, se inclinando em minha direção.
Fixo meus olhos nos seus. Observando-o com atenção. Tomura está usando um moletom grande de zíper, o capuz cobre quase todo o seu rosto, apenas deixando os lábios a mostra. Tenho um pequeno vislumbre do brilho perigoso em seus olhos. Noto que ele não está com uma daquelas mãos decapitadas, pelo menos não no pescoço.

VOCÊ ESTÁ LENDO
Putz, estou em BNHA?!
Science FictionYumi Matsubishi é uma adolescente comum, com seus próprios problemas como qualquer outro adolescente que tenha uma vida difícil. Sua vida nunca foi fácil, sua mãe morreu de câncer, e desde então ela vive com um pai que em 99% do tempo está bêbado, e...