Lembras-te? Foi a nossa noite. A última noite do ano.
A noite de sonho que andamos a preparar há trezentos e sessenta e cinco dias, o nosso amor e aquela viagem.
Desde o dia em que nos conhecemos que te vinha a dizer que amar como ama o amor só perante a grandiosidade de uma cidade como a de Nova Iorque.
O frio invernal que nos arrepia a pele, os flocos de neve a colorirem a nossa presença, o coração a fervilhar de amor, os nossos beijos enregelados, os teus dedos entrelaçados eternamente nos meus e o teu abraço. O abraço que cola, que amortece, que apetece.
A imensidão das ruas, as luzes, a multidão: e a distância. Eu e tu, só nos os dois, ali, sozinhos, perdidos, amantes.
Depois de um ano inteiro de muito trabalho, tu no ginásio, e eu, de manhã na caixa do supermercado e à noite a servir à mesa no bar da esquina. Conseguimos juntar o suficiente para fazermos essa viagem inesquecível. Não há nada que saiba melhor do que conseguirmos atingir os nossos objetivos graças ao nosso esforço e suor. Talvez tenha sido o presente mais importante da minha vida.
Num ápice fizemos as malas, faltavam pouco mais de vinte e quatro horas para o adeus a 2015, e Times Square. O desejo de pisar aquele chão era tão forte como aquilo que nos une. Durante nove longas horas de viagem não contivemos a emoção, não paramos de fazer planos para aqueles dias de sonho, conversamos sobre tudo e sobre nada, namoramos e voltamos a apaixonar-nos.
De repente, o avião toca terra-firme e há no meu coração um desassossego que reencontro no teu olhar, beijas-me inadvertidamente sem eu estar à espera. Sussurras que me amas e o sonho começa.
Por entre passeios, sorrisos, cumplicidades e um amor sem fim, damos por nós filhos daquela terra, amantes daquele lugar. A noite chega, a cidade pinta-se de gente inquieta, de pessoas como nós: gente com sonhos, à espera de novos desafios, de novas aventuras, de novos obstáculos.
O olhar e o tempo fixa-se naquelas luzes, na irreverência que nos transpõe: na vida. Quero-te, da mesma maneira que te desejo na minha vida. Amo-te, como amo tudo o que vivo e tenho. E isso é tudo o que mais desejo.
O ecrã gigante acende-se, a contagem decrescente inicia-se. A noite está gélida, abraçamo-nos um ao outro para que o dia conte, com os copos de champanhe na mão.
Falta apenas um segundo. E nada muda, o ano pode mudar. mas o que sinto por ti... Nunca!
Happy New Year, my love!
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Manuscrito - Histórias que podiam ser a tua história
Non-FictionNeste livro compilo uma série de contos e histórias que fui escrevendo no meu blogue. Histórias sobre os mais diversos temas. Histórias que tocaram pessoas. Histórias que podiam ser a tua história.