2_Amigos

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O despertador toca pela terceira vez, arrancando Rey de um sono agitado, onde sonhos confusos se misturam em uma tela onírica — são 6h40 da manhã de um sábado frio.

Espreguiçando-se, ela estica os braços e pernas em uma tentativa de espantar o sono persistente. Um bocejo cansado escapa de seus lábios, enquanto seus olhos, ainda pesados, lutam para se ajustar à claridade do amanhecer.

Na cabeceira, o livro da noite anterior repousa sobre o travesseiro, como um amigo fiel que aguarda o reencontro. Rey o pega com cuidado, deslizando os dedos pela capa texturizada em um gesto de carinho nostálgico. Em seguida, guarda-o na gaveta —  uma promessa silenciosa de voltar àquelas páginas em breve.

O tempo, como um rio invisível, segue seu curso implacável. Com um suspiro cansado, Rey deixa a cama. A inércia da noite se dissipa, dando lugar à energia vibrante da manhã. Seus pés descalços deslizam pelo chão frio de terracota, um contraste delicado com o calor do corpo.

O sol, em sua glória matinal, irrompe por entre as cortinas, espalhando alguns raios dourados pelo quarto.

Com a graça de uma bailarina, Rey se alonga, seguindo o despertar do corpo. A brisa da manhã a saúda, trazendo consigo o familiar canto matinal dos pássaros, junto com o leve aroma das flores do jardim.

Seu quarto exibe o clima despreocupado de uma manhã de sábado — a roupa de ontem repousa sobre a cadeira, a bolsa, despreocupadamente jogada sobre a penteadeira.

Rey permite-se um momento de contemplação antes de se dirigir ao banheiro, onde seu reflexo a encara através do espelho.

Seus cabelos em desalinho, emolduram um rosto marcado por leves olheiras. Um rápido choque de água fria, e a promessa de um novo dia acende seus sentidos.

Em movimentos rápidos, Rey se liberta das roupas, entregando-se ao calor reconfortante do chuveiro. A água morna dança sobre sua pele, enquanto o aroma floral do sabonete a envolve em um abraço perfumado.

Sob a ducha, seus pensamentos se organizam, como notas musicais em uma melodia crescente. O dia que se inicia se anuncia como uma tela em branco, onde cada ação será uma pincelada de cor.

Um banho rápido, o vapor preenchendo o ar com o aroma suave do sabonete, a fazem despertar por completo. Em seguida, vem a busca frenética pela roupa, com o relógio ditando o ritmo — cada segundo precioso.

Em meio ao caos do guarda-roupa, uma pausa. Seus dedos encontram os lábios em um gesto de dúvida. — Onde está a roupa que eu separei?

Sua mãe surge na porta, um sorriso no rosto e as peças tão procuradas em mãos.

Alívio e gratidão ilumina o rosto da jovem.

— Procurando por isso? — Lyra ergue uma sobrancelha com um sorriso divertido, enquanto a filha a observa com um misto de surpresa e alívio. — Estava bem ali, na mesa da cozinha.

— Obrigada, mãe! Acho que levei quando fui tomar água ontem à noite. — Rey veste sua combinação confortável e simples, como todos os dias, e joga uma jaqueta por cima para se aquecer.

Seus cabelos, depois de penteados, são rapidamente presos em um coque prático, em seguida, seus pés calçam os tênis surrados, na falta de outros melhores, mas bons o bastante para o ritmo acelerado do dia a dia.

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