Capítulo 5

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  Entre os becos escuros, frios e sujos os passos descompensados voavam pelo chão, as folhas secas estalavam ao serem pisoteadas e a latinha de refrigerante foi esmagada por um tênis amarelo de solas brancas

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  Entre os becos escuros, frios e sujos os passos descompensados voavam pelo chão, as folhas secas estalavam ao serem pisoteadas e a latinha de refrigerante foi esmagada por um tênis amarelo de solas brancas. A respiração ofegante e aterrorizada da menina podia ser escutada a diversos metros de distância, sentia seus pulmões gritarem por socorro mas ela não respondia, e muito menos atendia a sua necessidade humana de inalar oxigênio.

A quanto tempo estava correndo?

  Ela não fazia a mínima ideia. Só queria correr para mais longe cada vez mais. Em seu rosto gotas de suor eram notadas e escorriam em símbolo de desespero, seus joelhos ensanguentados doíam tanto e pareciam que seriam arrancados de si se não parasse de correr. O sangue criava uma crosta fina ao secar e o vento gélido e um tanto ácido pareciam pequenos canivetes acertando o ferimento, gotas e mais gotas de sangue escorriam pelas pernas da garota e sua meia branca sofria as consequências sua bolsa parecia pesar mais do que deveria e fazia seus ombros doerem sua cabeça ainda a lembrava dos sons dos tiros e todo o sangue que escorria de sua mãe. Estava apavorada e não tinha a quem recorrer, queria gritar e chorar todas as lágrimas presas em seus olhos que lacrimejavam, e consequentemente fazia seus olhos arderem como se estivesse olhando para uma cebola crua.

  Sentia um nó tão grande e dolorido na garganta que não conseguia falar ou proferir algum outro som que não seja de seus pulmões necessitados. Tudo o que a menina de cabelos brancos queria era acordar desse pesadelo, desejava profundamente que estivesse acordando de um sonho terrível e de que estaria em sua casa e que sua mãe lhe acordaria com um gentil e amável bom dia.

Até quando esse pesadelo iria durar?

  A dor que sentia era tanta que achava que iria desabar alí mesmo, estava tão aterrorizada, assustada e frágil que sentia que iria desmaiar a qualquer momento e alí, naquelas ruas escuras. Mas o medo e o restinho de esperança que lhe restavam a faziam se movimentar em busca de sobreviver, algumas lágrimas sem permissão escorreram por seu rosto fazendo-a se sentir mais fracassada do que antes. Uma luz forte atingiu seus olhos negros e foi quando percebeu que havia saído das vielas, ruas e becos escuros e havia atingido o centro da cidade o local mais movimentado de toda a Los Angeles. Foi apenas então com a grande movimentação de pessoas que se pôs a parar e finalmente respirar o ar que lhe era tão necessitado sentia seus pulmões queimarem como se nos lugares de seus brônquios houvessem pequenas faíscas, suas correntes sanguíneas aparentavam transportar cargas elétricas que queimavam suas artérias, seus órgãos internos pareciam ter trocado de lugar e agora estariam se ajustando em seus devidos lugares.

  Takashi se encurvou quase colocando as mãos sobre os joelhos, mas ao ver o estrago que a cerca de arame farpado lhe havia feito, exitou e colocou as mãos sobre a coxa e tentava regular a respiração a qualquer custo. Suas roupas estavam um tanto amarrotadas e empoeiradas. Algumas gotas se suor eram visíveis na camiseta de mangas curtas que ela usava qualquer um que reparasse um pouco na criança suspeitaria de algo, chamar atenção era o que ela menos queria mas era só olhar um pouco para a jovem platinada que seria o centro das atenções.

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