Capítulo 56

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Tempo é a grandeza que mais desprezamos e amaldiçoamos, por nossas dores e derrotas, mas é somente ele que traz a maturidade e o reflexo das consequências

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Tempo é a grandeza que mais desprezamos e amaldiçoamos, por nossas dores e derrotas, mas é somente ele que traz a maturidade e o reflexo das consequências.

  A sensação era singular, e naquele momento, nenhum sentimento varria sua mente paralisada, não sentia frio, calor, muito menos dor, estava estático com sua cabeça se praguejando para raciocinar todas as coisas que deveria, mas não conseguia, estava preso ao desconhecido, ao reflexo do que restou após a dor que sentiu depois de tanta violência.

Viu os coelhos? Saíram da toca há pouco tempo, é engraçado, o frio deu início, eles deveriam ficar em casa, quentinhos e acolhidos, não neste frio intenso. — Uma voz gentil ressoou em seus ouvidos, com um timbre de delicadeza, igual a leveza dos toques que sentia em sua face.

  Os dedos delicados e gentis cuidavam de colocar curativos nos machucados no rosto do garoto, que não havia falado uma única palavra desde que fora encontrado machucado na neve que cairá ali fora.

  Os olhos de sua mãe se mostraram generosos e acolhedores, mas ele sabia que isso não passava de mentira, pois se preocupar era sua obrigação. Por dentro, tinha todo tipo de sentimento que ele não sabia nomear, e se sentia péssimo por ele sequer sentir raiva sobre o que havia acontecido.

  A lareira crepitava, com o som da madeira queimando sendo um aconchego diferente, e o calor que ela fazia ainda não era o suficiente para se sentir acolhido pelo calor, sentia-se longe demais de qualquer coisa para que pudesse sentir alguma coisa.

Estava quieto, longe demais para ser alcançado.

— Consegui ver dois, um marrom, bem pequeno, tinha a ponta das orelhas brancas, já o outro, era cinza, com o rabo branco e uma mancha preta ao redor do olho esquerdo. — A mulher passou um pano úmido pelo rosto do garoto. — Estavam indo em direção ao bosque. Acho que estar dentro da toca se tornou entediante.

  Mais uma vez calado, mesmo sabendo que seu filho não iria responder, continuou se comunicando com ele, sabia que ele não queria falar nada, mas se manter calada iria piorar a situação. Não era o momento certo para falar sobre a briga que ocorreu, tão pouco sobre as prováveis consequências que ocorreria, afinal não tinha coragem de encarar sua chefe, uma loira magrela de cara azeda, com os cabelos cacheados à altura do pescoço, olhos negros miúdos ignorantes, tão negativos quanto sua desprezível personalidade.

Mas não importava, não agora.

  Já o garoto, só não possuía forças para falar, mas odiava esses coelhos, malditos coelhos que aparecem e destroem tudo aquilo que ele já havia feito, era punido, e a culpa nunca era dos animais que não tinham consciência dos padrões altos exigidos, sempre era dos empregados, tratados como capachos, seres que sequer deveriam pisar na superfície terrestre, e que deveriam se esconder na penumbra, como ratos amedrontados.

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