Capítulo 52

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Não é somente falar sobre nós mesmos, dizer porque dói e reconhecer nosso sofrimento

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Não é somente falar sobre nós mesmos, dizer porque dói e reconhecer nosso sofrimento. É a necessidade de ser escutado e acolhido, de alguém ficar ao seu lado. Necessitamos nos expressar, se não por palavras, pelas lágrimas, que são derramadas constantemente por não conseguir falar.

  Era ingênua, um ser pequeno e frágil que todos reconheciam ser bestinha. Mas era ingenuidade pura, não poderiam, nem deveriam julgá-la, era uma criança, descobrindo o mundo, com sua pureza e delicadeza saindo de cada célula de sua pele. E mesmo com tão pouca idade, se reconhecia, que esforço brotava de seus poros, e a determinação brilhava reluzente em suas íris radiantes e delicadas.

  Uma criança, uma bela garotinha miúda, mas bastante inteligente, aprontava às vezes, mas era coisa de criança. Entretanto, sabia se comportar e obedecer às ordens e comandos que lhe eram entregues. Afinal, ela era uma boa garota, educada e comportada. Ou então, era isso que ela precisava ser, independentemente de suas escolhas ou desejos, ela seria assim.

E por que você é uma boa garota, Hanare? — Perguntou a voz doce e delicada, com a pergunta parecendo didática, um tom treinado para se comunicar e articulado de maneira pomposa e elegante.

Porque boas garotas deixam os papais felizes.

— Muito bem. E porque deixamos o papai feliz?

Porque ele trabalha muito e não deveria ficar bravo por causa de bagunça minha.

Você é mesmo uma boa garota. — Disse a mulher de beleza esbelta ao terminar os últimos ajustes do cabelo da garota. — Então, minha princesa, como você deve se comportar com o papai? Lembre-se, você é uma dama, elegante e acima de tudo, uma Mikhailov.

— Eu… — A menina pensou um pouco, se esforçando para se lembrar do que qua mãe havia lhe ensinado. — Não devo correr nem falar alto, escutar o que ele diz e falar sobre as coisas boas que eu fiz.

— E se ao invés do papai, fossem pessoas muito deselegantes e incômodas, que são completamente desagradáveis e que nos afrontam? O que faríamos? — Perguntou Diana, com um olhar faiscante de orgulho e uma das sobrancelhas levantadas, encarando o rosto da filha pelo reflexo do espelho.

Eu chutaria o traseiro deles com elegância e estilo para que aprendessem a não desafiar quem não deve, os colocando em seus devidos lugares. Para que eles nunca mais esqueçam que não se deve desafiar uma dama.

— Certa resposta, meu amor. — Diana disse com orgulho. Escutando um risinho divertido próximo de si, ela olhou para o lado com uma expressão amigável. — Eu disse, ela aprende rápido.

— É uma graça, madame. — A empregada ao lado de Diana respondeu, com um olhar gentil em sua face. 

Pakura, pegue para mim as pulseiras, por favor. — Ela de imediato obedeceu, pegando uma caixa de veludo e levando até a garota miúda sentada frente à penteadeira. — Qual desses você quer usar, Hanare?

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