Capítulo 63

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Hanare 

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Hanare 

  Viajar consecutivamente e sem descanso é uma tortura psicológica. Principalmente quando seu sono é horroroso e há pouco tempo para relaxar os músculos tensionados após uma noite horrível. Não importava o quão luxuoso e confortável fosse um meio de transporte, nunca dormiria bem. 

  Moscou estava muito mais fria do que eu me lembrava, uma nevasca atingiu a cidade, e agora, muita neve cobria os prédios típicos coloridos, apagando a alegria que as cores vibrantes traziam aos meus olhos cansativos. 

  Não me lembrava de ficar tão triste em não poder admirar a cidade a qual nasci. Soterrada sob tanta neve, era melancólico e triste, principalmente quando há lugares em que as pessoas curtem parques verdes e brilhantes, cheios de vida e euforia. 

Parecia tão injusto. 

  Mas imaginar Moscou sem a neve pesada e o gelo intenso sobre os telhados, desconstrói completamente a essência desse lugar. Os prédios eram belos sem a neve, mas o gelo branco sobre seus telhados era de fato um charme que nenhum outro lugar carregava. 

Com sua beleza oculta nos menores detalhes. 

  Eu poderia passar horas admirando os prédios, sentindo o gelo congelar-me aos poucos e a ponta do meu nariz queimar com a baixa temperatura. Valeria a pena se fosse para admirar mais um pouco da cidade e me sentir um pouco mais viva. 

Porque sempre morro um pouco mais sempre que passo por esses portões. 

  Tão caótica e luxuosa como sempre. A mansão continuava a mesma, e sinceramente, sugava toda a energia que tinha para continuar, e os prédios coloridos ficavam apenas em minha memória. Não sujaria sua beleza ao colocá-los em minha mente para transformar esse lugar em um lugar melhor. 

Não há motivos para deixar esse lugar melhor. 

  Ao reparar nos detalhes do meu quarto, percebi que talvez odiasse aquele lugar. O fato de ser igual a quando eu era uma adolescente e lembrar uma criança ingênua em um conto de fadas, quando não era nada disso transmitia um ar imaturo e uma sensação sufocante de lembrar-me do passado.

Talvez fossem as cores, ou os móveis. 

  Uma perfeita prisão, para me lembrar de que não importava quanto tempo passasse, eles sempre me tratavam como uma assassina que manipulam quando e como quiserem. Porque, até o último dia da minha vida, é isso o que eu serei, sem a capacidade de apagar meu passado, não importava quantas vezes me machucasse, ou quanto sangue jorrasse de minha pele, sempre haveriam memórias de um passado sufocante demais para carregar. 

— Não vai desfazer as malas? — Pakura e seu timbre gentil, junto da performance elegante em trajes de governanta. 

— Não. Sequer sei quanto tempo ficarei aqui. — Suspirei fundo, sentindo o alívio em minhas costas com o contato do colchão macio. 

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