Capítulo 35

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  O sufoco que havia naqueles corredores e a tensão que escorria por suas veias deixava tudo dramático e preocupante

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  O sufoco que havia naqueles corredores e a tensão que escorria por suas veias deixava tudo dramático e preocupante. Claro que usar a palavra “dramático” naquele momento parecia remeter a um grau de deboche, quando a situação realmente era crítica.

  Era estranho reconhecer os corredores e encará-los quando tinham um ar sufocante, e silencioso quando ao mesmo tempo havia barulho. Os médicos passavam pelos corredores, macas chegavam e algumas pessoas andavam aflitas, onde pareciam que estariam prestes a arrancar os cabelos.

  Kakashi não era muito diferente. Ele estava em pé, esperando por notícias e ele parecia calmo, mas estava apenas aparentando mesmo, porque se notasse na postura do detetive veria que ele estava esmagando os músculos do braço com as mãos e sua respiração estava um pouco pesada. E por dentro ele se imaginava sem metade dos cabelos.

  Se pudesse, Kakashi entraria imediatamente naquele quarto para aliviar a tensão de seus nervos, ou então pedir para que Rin entrasse no quarto para verificar a situação.

Se um ano tem 365 dias e um dia tem 24 horas, um ano tem… 8.760 horas. Ou seja, 10 anos tem 87.600 horas, então quantas horas de vida Takashi teria? Ela tem sete anos, isso dá 61.320 horas, só que estamos em março, o que dá mais… se ela faz aniversário em novembro, dezembro, janeiro, fevereiro, março. Se somarmos mais o dia de hoje, isso vai dar aproximadamente mais 666 horas? Mas o dia não acabou, então são menos quantas horas? Takashi prefere laços ou rabicós? Ou então presilhas?

  Seria estranho analisar a cabeça de Kakashi naquele momento e em como ele se importava com os cálculos de horas e a dúvida sobre rabicós, presilhas e laços. Mas todos temos uma forma de lidar com a preocupação e estresse, algumas pessoas roem as unhas, outras mexem no cabelo, contam os pisos, caminham…. E outras, bem, algumas começam a ter pensamentos aleatórios sobre a pessoa que está sendo observada e atendida por médicos.

  Talvez a metodologia de Kakashi não fosse a melhor, afinal se pensarmos por um ângulo, quanto mais ele pensa em Takashi e tenta adivinhar quantas horas de vida ela tem mais ele pensa sobre a filha, mais ele se lembra do motivo que o trouxe até ali. Mas ele estava pouco se lixando para sua saúde mental naquele momento, se por algum acaso ficar pensando em Takashi o desse algum suporte para fortalecer sua crença de que ela estava bem, ele o faria sem nem pestanejar.

  Kakashi respirou fundo, soltando o ar em seus pulmões, nervoso. Ele se lembrou de quando descobriu que Takashi havia parado no hospital, e de como seu cérebro conseguiu projetar o som da sirene da ambulância.

   Kakashi estava estacionado na frente da casa que era de Hanare e Takashi, esperando para verificar se a menina iria aparecer ali, pensando que ela poderia estar chegando, ou em alguma rota não tão longe dali. Mas isso já estava o preocupando, já eram 16:35, nada de Takashi. E isso o estava deixando nervoso e nem precisava explicar o motivo.

— Onde você está, Takashi? — Kakashi pensou que ela poderia ter parado em alguma loja de conveniência, mas para quê? Bem, talvez ela tenha ficado com fome mas com que dinheiro ela pagaria? — Só me dê um sinal de que você está bem, por favor…

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