Capítulo 48

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  A compreensão é relativa, muitas vezes, é a ética que nos faz não entendermos determinados comportamentos e desdobramentos, quando olhamos por mais de um lado, conseguimos entender mais profundamente determinados acontecimentos

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  A compreensão é relativa, muitas vezes, é a ética que nos faz não entendermos determinados comportamentos e desdobramentos, quando olhamos por mais de um lado, conseguimos entender mais profundamente determinados acontecimentos.

  Num piano luxuoso, branco com teclas preciosas e de porte elegante, onde o instrumento com certeza custava uma fortuna exuberante, uma melodia doce era escutada por aqueles que assistiam a melodia ser tocada por uma bela figura. Os dedos delicados e ágeis deslizavam por cada nota do instrumento. Resultando em uma melodia não perfeita, mas bem treinada, quase ao nível da perfeição que se era cobrada, mas claro, nunca seria a sinfonia perfeita que Beethoven compôs e tocou, mas o ritmo e a melodia que era tocada pela jovem, era maravilhosamente bom, mesmo que não fosse a perfeição do grande artista.

  A jovem sentia a pressão que se instalava naquela sala, não sabendo se isso a motivava para manter o foco em seus dedos e não errar uma nota, ou se desabaria em algum momento, cedendo sua postura firme falsa e deixaria o suor em suas mãos errar a sequência. Não sabendo mais o que era respirar, pois segurava o ar a todo o momento, ainda mantendo uma pose elegante e face serena, ela observava as notas que devia seguir, tocando da forma que lhe era instruído.

  Pelo canto dos olhos ela viu o homem que sentava ao longe de si dar um gole longo e rude na taça de bebida alcoólica que ele tomava, desconcentrando-a e a deixando tensa, sentido os pulmões saltarem como se estivesse em um brinquedo, num sinal de desespero. Ela voltou a todo custo sua atenção ao piano, tocando nas teclas e sentindo a pureza da música, se concentrando na melodia e no toque de seus dedos. O final chegava, e sentindo o ar preso fugir aos poucos pelas narinas, a garota relaxou, mas ao ficar mais calma, seu dedo quase deslizou para uma nota grave no último acorde da melodia, mas com agilidade, ela trocou a tempo, tocando a nota certa, um segundo mais tarde do que deveria.

E claro que eles perceberam.

  O ar saiu devagar pela boca da garota, sentindo os cachos ondulados do cabelo alcançarem os ombros, e o clima gelado se instalar no lugar.

Errado! — Disse o homem que portava a voz rude, cheia de amargura e impiedade.

  Sentindo o peito pesar com o fracasso e o estômago embrulhar com a negatividade do comentário, a jovem manteve a face inexpressiva, com os olhos atentos ao patriarca da família, seu pai.

A melodia está atrasada, sua postura está errada, atrasa as partes rápidas e adianta as fáceis. — O homem de aparência robusta e voz grave dizia num tom grosseiro, se levantando de sua poltrona chique, colocando o copo de bebida na mesa ao seu lado.

  A menina se levantou, ficando a alguns passos de distância do piado e no meio da sala. A garota sentia o desespero corroer seus nervos, como se a qualquer momento aquele homem fosse capaz de agredi-la, ou a punir por não tocar a música da forma que desejava. Sentia seu corpo tensionar os músculos que possui sempre que era repreendida, pois sabia que seria punida de alguma forma severa.

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