Capítulo 60

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  As congruências de um caso investigativo são muito variáveis, mas as coisas estavam variando como a relatividade temporal, e Kakashi tem se punido cada vez mais por dois fatores

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  As congruências de um caso investigativo são muito variáveis, mas as coisas estavam variando como a relatividade temporal, e Kakashi tem se punido cada vez mais por dois fatores. O primeiro: a demora em encontrar as respostas, e o segundo: seus pensamentos pessoais estavam invadindo seu espaço lógico.

  Certo, ele também admitia que as últimas semanas foram exaustivas e tão agitadas que sequer teve tempo de conseguir raciocinar perfeitamente. Até agora a paternidade não havia pesado sobre seus ombros, ao menos o verbo haver estava conjugado corretamente.

  Takashi não era, e jamais seria, um fardo, mas tudo era exaustivo e cansativo, mesmo que amasse sua filha e as responsabilidades paternas, estava se sentindo esgotado. Até considerou encontrar um novo psicólogo, o que era uma estratégia muito válida, mas não sabia se conseguiria pisar em um consultório sem se lembrar do seu estranho terapeuta anterior. Mas assim como uma moeda tem dois lados, Kakashi estava disposto a se esforçar um pouco mais. Não só ele precisava cuidar da saúde mental, assim como Takashi também, e sabia que ela não poderia se recuperar caso ele próprio não estivesse mais estabilizado.

O processo é longo e cansativo, mas estava fazendo valer a pena.

  Uma semana desde que o incidente se passou, Takashi estava liberada do hospital e com um belíssimo diagnóstico de completamente alérgica a amendoim em mãos. Fora as receitas com anti-alérgicos de emergência, precauções. Encontrar um psicólogo infantil não foi difícil, principalmente um que ele julgou ser de confiança. Kakashi foi um tanto quanto seletivo, mas acreditou que Takashi se sentiria melhor com uma mulher a tratando do que um homem.

  E em pouco mais de três sessões Kakashi quase tinha um diagnóstico da própria filha, não confirmado e que estava sob análise.

— Mutismo seletivo? — Ele encarou os olhos escuros da psicóloga. Seus olhos se interessaram pelos brinquedos pequenos na mesa dela e as canetas coloridas.

— Sim. Tive essa suspeita na primeira sessão, mas é cedo demais para confirmar qualquer coisa. — Ela respondeu em tom ético, mas com uma voz muito suave e tranquila.

— E como exatamente isso funciona? — Ele piscou algumas vezes, o tom sério com preocupação foram analisados pela psicóloga.

— Você deve ter notado que ela não socializa muito. Ela se isola da comunicação, fica adepta aos demais e costuma dizer o mínimo, às vezes, nada. São alguns sintomas. Mutismo seletivo é… complicado, mas digamos que é uma espécie de trauma na comunicação. É uma espécie de ansiedade social.

  Kakashi começou a se lembrar de Obito, no início, ele havia mencionado que Takashi tinha algo diferente, claro que ele notou, mas desejava ter tomado a atitude certa antes. Demorou demais.

— Eu… percebi. Sabia que havia coisas erradas desde o início, demorei demais para tentar ajudá-la.

  A psicóloga ficou em silêncio por alguns instantes. Kakashi sabia que ela poderia dizer “ao menos você veio” ou “você errou, mas está fazendo o certo agora”. Porém ela não disse nada, ele sabia, e como reconhecia o erro, era um progresso.

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