Montblanc caminhava sozinho e sorrateiramente pelas ruas de Grande Beco, ao sul de Exkepclu. Os altos paredões de pedra circulavam o enorme centro da cidade e criavam um corredor até a baía da região. A luz do entardecer projetava uma sombra que era quebrada pelos reflexos dos altos prédios de vidro, mas ajudava o clone a se misturar sem grandes dificuldades. O capuz azul se arrastava pelas ruas estreitas do beco antigo e suas mansões de calçadas curtas. Em uma casa no ponto central alto, com visão para a baía, Montblanc esperou.
— Posso ajudá-lo? – Perguntou uma mulher forte atrás do portão.
— Eu estou aqui para ver Atília – respondeu Montblanc, tirando o capuz e mostrando o rosto. – Diga a ela que está na hora.
A mulher o olhou de cima a baixo.
— Por que a capa, e a mentira? Todos sabem quem é e o que está aprontando aqui – rebateu a confusa mulher, com desprezo. – Você está em Exkepclu, todos temos culpa para carregar e...
— Avise Atília que quero vê-la! – Interrompeu Montblanc.
— Ou o que? – Indagou a guerreira, colocando a mão no cabo da espada e mostrando uma fresta da lâmina. – Pelo menos, o capitão Saul Victor tinha honra mesmo quando fazia algo errado.
— E se tiver sorte, ele está morto! – Montblanc rebateu com fúria e exibindo sua arma de disparo. – Você não vai fazer nada, sabe que se um de mim está aqui, então algumas centenas também estão.
Uma gargalhada seguida de palmas veio de cima, Atília estava no balcão do segundo andar da mansão, perto do portão da rua. Seu sorriso escondia toda a maldade que tinha. Usava com um vestido azul escuro e era possível ver as modificações mecânicas em seu corpo.
— Por favor, continuem, isso está muito bom – ironizou com mais algumas palmas. – Quando as crianças pararem de brigar, subam para que possamos conversar feito adultos.
A mulher da segurança, mesmo carrancuda, abriu o portão para que Montblanc entrasse. Por mais pequena que fosse a entrada, o interior da casa era o contrário. Grandes cortinas cobriam grandes janelas e uma escadaria levava para os outros andares, um enorme lustre iluminava o lugar e quadros decoravam a parede norte. O clone e a mulher seguiram juntos pelo lado direito da escada enquanto eram observados por outros funcionários igualmente mau encarados e carrancudos.
— Montblanc, cada dia que passa tenho menos confiança nas tuas capacidades – disse Atília, se servindo vinho. – Ficar brigando com uma mulher só porque foi criticado, honestamente...
Montblanc admirou todo o espaço, estava impressionado com o luxo sofisticado e quase brega. Havia uma lareira à direita, duas grandes poltronas e um sofá em volta de uma mesa de centro. Móveis de tons brancos contrastavam com as cores quentes das paredes, além de estantes com livros e uma janela com vista para o horizonte de Grande Beco.
— Ela citou a honra Saul Victor – rebateu o clone.
— Ela não está errada – Atília serviu mais dois copos e entregou um para Montblanc e outro para a mulher. – A propósito, o nome dela é Pordota Gur Baceva, foi tripulante da Benção Branca antes de você fazer a sua graça em Alador e..., bom, sabemos no que deu.
— Hum..., uma desertora – provocou o clone. – Você está bem ruim de agentes de segurança, não?
— Está completamente enganado – rebateu Atília. – A fidelidade de um tripulante da Benção Branca é lendária – andou até Montblanc e lhe acertou um tapa no rosto. – E isto é pelo meu robô!
Montblanc a olhou com fúria, mas então aceitou a agressão.
— Talvez, dessa vez eu tenha merecido – respondeu. – Em minha defesa, a ideia foi completamente sua.
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Sete Vidas em Nove Mundos - O Segundo Final
Ciencia FicciónAs drásticas consequências recaíram sobre os mundos desfazendo toda a ordem vigente estabelecida. Os temidos tempos sombrios haviam chegado e ninguém estava, de fato, preparado para eles. As guerras por poder deram lugar à uma jornada de autodescobr...
