Um Pouco de Fé

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Os capitães viajavam em outra nave de carga, já que a última não teve conserto depois da batalha de Intéligus. Ela estava vazia e preparada para servir como transporte oficial, mas mantinha o ar de mistério que preenchia lendas de cargueiros. Estavam chegando no portal do quarto sistema, onde os tripulantes se dividiram para diferentes locais e tarefas. A maioria estava a caminho do transporte auxiliar que ia à Satsu Man, e ninguém iria à Dascart com Saul e Vigur. A tensão era grande entre a tripulação, mas não afetava o sentimento de vitória sobre a tirania de Rancel.

— Posso entrar, Capitão? – Pediu Bartan, após de bater no canto da porta dos aposentos de Saul. – Eu não quero incomodar, mas não sei se terei outra chance de falar com você.

Victor estava sentado em uma mesa, olhando para a janela com os pensamentos perdidos. Ao fundo, estava o portal do sistema e uma fila de naves com diversos destinos. Todo o processo funcionava com calma e civilidade, diferente de quando haviam chegado. A cada mudança entre as sete opções de sistemas, uma leva de embarcações seguiam em frente.

— Há muito tempo que não via tanta paz próximo ao portal de um dos sistemas civis – disse Saul. – Entre, Piloto. Por favor, sente-se aí e se sirva – sugeriu a cadeira a sua frente e um prato com petiscos fritos.

Bartan entrou, se reverenciou, e se sentou.

— Isso são asas de polocas? – Indagou. – Estão..., estranhas.

Saul riu.

— São de primos dascartianos – o Capitão respondeu. – É muito comum por lá, eles as chamam de galinhas, são bem mais saborosas que as polocas que temos em Prit. Experimente – empurrou a travessa com a iguaria até o amigo. – Vai gostar, tem um sabor histórico.

— Obrigado. Sabe o que dizem sobre galinhas velhas?

— Galinhas velhas não falam – respondeu Saul, rindo. – Essa já é velha e é um mito, isso nunca aconteceu, não como dizem. Targus estava comendo carne de trovos quando falou com sua galinha de estimação e ela cacarejou de volta, mas Jalium não deixou ele responder. Foi quando toda a ponte virou um caos, e depois que se acalmou, o capitão Jalium e os outros tripulantes disseram...

— "Galinha velha não fala! Cala! Cala! Cala!" – Recitaram juntos e com gostosas gargalhadas.

Saul continuou:

— Essas lembranças são tão confortáveis quanto dolorosas. Viver eternamente é uma sensação muito ruim para se experienciar, toda essa superioridade é..., inútil.

Bartan consentiu. Disse:

— Você viveu uma boa vida, se tornou tudo o que é.

— Eu não me tornei, fui colocado nesse posto – Saul rebateu com o pensamento longe. – Enfim, como você está?

— Bem mais tranquilo, agora – o Piloto respondeu.

— De fato – Victor concordou. – Rouvana como governadora foi uma ótima ideia de Vigur. Ela se tornaria alvo de qualquer maneira, pelo menos agora ela tem a proteção necessária. E competência para isso não falta nela, pelo que me passaram – bebericou seu chá.

— Eu quero ir com vocês para Dascart – confessou Bartan.

— Sinto muito, Piloto – Saul negou. – Acho mais importante você estar em Satsu Man, para Zancer administrar suas habilidades. Não que eu ache que precise disso, você foi ótimo em Intéligus, é para estratégia militar mesmo. Em Dascart, eu quero ser rápido e rasteiro porque estou sem paciência para mais cavaleiros de Montblanc – terminou seu chá e deixou a caneca sobre a mesa. – Quero acabar logo com esse drama.

Sete Vidas em Nove Mundos - O Segundo FinalHistórias para pegar e não largar. Descubra agora