Epílogo

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Cipherion estava claramente ansioso, seus pés batiam de forma rítmica enquanto ouvia os sons fortes da batalha. Bília parecia estar na mesma situação, mas não demonstrava em gestos como o companheiro. A velha, às vezes, se assustava com o estrondo de algo vindo de fora, mas tentava se manter calma.

Havia um único clone que os fazia companhia, e alguns sacerdotes também estavam por ali. Sempre que queria, Bília pedia por algo para comer ou beber à Montblanc, que a obedecia sem questionar.

— Você deve ser muito valiosa para ser tratada tão bem assim por alguém tão poderoso – disse Cipher, assistindo a cena.

— Eu sou apenas uma arma – a velha respondeu. – Uma cartada de finalização em uma jogada que não é minha. Mas eu fiz as escolhas que me trouxeram até aqui, então não posso reclamar – virou uma golada de vinho de pera celeste. – Eu só quero que acabe logo, já sei qual será o meu fim e ele é inevitável.

— Você sempre fala por enigmas – reclamou Cipher, se levantou e foi até uma janela onde conseguia ver a batalha. De longe, era possível ver Saul e seus guardiões enfrentarem o exército de Montblanc. – Eu tive uma longa história como arma alheia também, mas no meu caso, foi por conta dos meus dons. O que você tem de especial?

A mulher revirou os olhos, respondeu de forma bem debochada:

— Vocês não se cansam de serem especiais? É por isso que tudo acaba sempre do mesmo jeito, porque todo mundo se acha especial.

Cipherion se virou, rebateu:

— Eu só fiz uma pergunta, para entender o motivo de estar aqui.

— Digamos que eu fui a última esperança de um movimento que já nasceu morto – Bília respondeu, sem pensar nas palavras. – E depois de muitos ciclos, ressurgiu das cinzas, como uma águia de nove penas.

Intrigado, o cavaleiro voltou à sua poltrona.

— Do que está falando? – Perguntou.

A velha deu uma gargalhada rápida.

— Percebe como ser especial para a criação não te faz melhor ou pior que qualquer outro? Estamos em um tabuleiro jogando contra nosso próprio destino, mas não somos nós que damos as regras – ela sinalizou para que o clone trouxesse mais bebida. – Eu tinha uma missão especial na Benção Branca, e eu obtive sucesso, só que na hora errada.

— Seja mais clara, por favor – insistiu Cipher.

— Hum – a mulher resmungou. – Para alguém que tem todo o seu poder e capacidades, você é demasiadamente curioso.

O clone, que estava a alguns passos, riu da situação.

— Ela foi a líder dos amotinados na Nuvem – ele respondeu.

A surpresa no rosto de Cipher era incontrolável.

— Em minha defesa, só estava cumprindo o meu dever, não fazia ideia que se tornaria algo tão grande assim – Bília se defendeu.

Cipherion pensou por um momento. Indagou:

— O que tem nos registros da Benção Branca, Montblanc?

— São imagens do espetáculo sanguinário que ela promoveu no navio antes de eu chegar lá – o clone respondeu. – É por isso que ela é e sempre foi minha principal arma, só não tinha usado ainda porque o meu alvo não estava pronto.

O cavaleiro, incrédulo, voltou à janela. Saul lutava com maestria ao lado de Vigur e Vorax, já próximo ao átrio do laboratório.

— Saul está com raiva – comentou. – Cego pelo ódio que nutri a você desde antes daquele dia. Sabe o choque que isso vai causar?

Sete Vidas em Nove Mundos - O Segundo FinalHistórias para pegar e não largar. Descubra agora