O portal de Fogo Branco se abriu cerca de três metros de altura do chão de pedra marrom-claro, havia uma vegetação natural cobrindo parte pavimento. Os tufos de mato verde azulado de folhas finas passavam pelos vãos das placas em todo o pátio. Saul caiu quase que em pé, enquanto Vigur bateu com mais violência no piso.
— Onde estamos dessa vez, Saul? – Perguntou, se levantando.
O Capitão olhou em volta, tudo o que viu foi um grandioso templo abandonado de arquitetura rústica e elitista. Observou o estrelado céu da noite clara, chovia leve e haviam nuvens escuras, mas era possível ver além da tempestade. Victor reconheceu o sistema, era Satsu Man e seus planetas de beleza única. Finalmente, Saul resolveu prestar atenção no ambiente à sua volta, a vegetação, o barulho das ondas, as montanhas a oeste e a construção estranha.
— Estamos em Alágora – disse o Capitão. – Uma ilha a cerca de três mil quilômetros de Dulofosso, em Jeruda.
— Imagino que saiba o porquê disso – rebateu Vigur, já em pé e dando uma explorada rápida no lugar. – Parece que não tem civilização por aqui e não estou afim de sair nadando oceano adentro.
— Não, de fato não tem – disse Saul. – Só há um habitante aqui e ele não é muito chegado em visitas – deu alguns passos para a entrada do palácio de arquitetura robusta. – O lado bom é que teremos abrigo.
— E uma fera selvagem, pelo que disse – rebateu Vigur ao olhar para a construção abandonada. Começou se lembrar e ligar os pontos de seu raciocínio. – Espera, eu sei que lugar é esse. Alágora, claro! Lar dos extintos detanorianos, não é? O código-fonte da espécie está aí?
Saul abriu um sorriso nervoso. Respondeu:
— Espero que sim, e que ele esteja de bom humor – caminhou em direção à entrada devagar e olhando para todos os lados.
— Sabe o que dizem sobre a criatura? – Indagou Vigur, seguindo o Capitão de perto. – É claro que você sabe..., ossos, garras e dentes de carbono diamantado, calda forte com ferrão letal. E aquela habilidade de transferência de matéria no espaço, nem sei se isso é real...
— É sim – confirmou Victor. – O medo criou lendas, mas eles não eram perigosos quanto dizem. Os detanorianos eram valentes, mas sabe como são exploradores quando não conseguem o que querem – o Capitão parou em frente à entrada. – Está com medo?
Vigur o olhou, confuso e claramente assustado.
— Que pergunta estúpida – rebateu.
Saul riu, mas voltou à seriedade.
— É, eu também estou – admitiu.
Deram um passo de cada vez. A chuva torrencial deixava o luar mais escuro e assustador. O silêncio só era quebrado pelo eco abafado dos passos dos capitães no sombrio corredor. Saul pegou sua espada, e a lâmina se acendeu com uma chama branca dentro do cristal.
— Fogo Branco quer dizer alguma coisa – comentou Vigur.
— Eu acho que foi só um ato de misericórdia – rebateu Victor.
O templo se abria em diversas salas, corredores, grandes câmaras e pavilhões extensos para todos os lados. Havia um aqueduto que levava água do topo da montanha atrás da construção até as diversas áreas do lugar e ao subsolo, além das escadarias. As paredes eram decoradas com ouro e prata, com desenhos da era de glória da espécie detanoriana.
Depois de ver que não havia nada no subterrâneo, e com medo de ir mais para baixo, resolveram subir. Passaram pelos corredores laterais de acesso ao pátio, verificaram as torres e salões altos, mas tudo o que tinha era vestígios de carcaças.
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Sete Vidas em Nove Mundos - O Segundo Final
Science FictionAs drásticas consequências recaíram sobre os mundos desfazendo toda a ordem vigente estabelecida. Os temidos tempos sombrios haviam chegado e ninguém estava, de fato, preparado para eles. As guerras por poder deram lugar à uma jornada de autodescobr...
