A nevasca caía firme no infinito horizonte branco, o vento zumbia e rodopiava levantando colunas giratórias de flocos brancos pelo caminho que se desfazia no passo. Algumas vezes, Vorax usava seus propulsores para se desatolar da neve e retomar a caminhada. A lua de Saxuno tentava iluminar a imensidão desértica, mas as nuvens rápidas logo a cobriam, fazendo Ragath ter de usar suas lanternas.
Saul parou, escorou em uma geleira mais sólida e se sentou sobre um amontoado de neve. Retirou sua máscara e afrouxou os cintos de seu traje para respirar fundo. Levantou os óculos de proteção.
— Deve ser algo muito especial para você esconder em um local tão inóspito e distante – reclamou Saul. – Poderíamos ter usado a nave.
— E chamar a atenção de qualquer um? – Rebateu Vorax. – Este é um planeta primitivo, poucas coisas voam aqui, e o que voa é atração.
— Estamos andando há horas, e até agora eu não vi nada vivo em quilômetros para qualquer lado – protestou o Capitão.
— Há muitas cavernas por aqui – disse Vorax. – Legiões inteiras de ladrões vivem nelas, sempre há saqueadores caçando. Digamos que as políticas sociais dos Bouderstan privilegiavam esse tipo de pessoa. Eu e meus soldados fazíamos esse caminho todos os meses, até Montblanc vir e tomar o lugar. Havia se tornado um local de peregrinação depois que você e Vigur o forçaram a sair das cidades – vasculhou a mochila velha que carregava e tirou algo enrolado. – Coma isto, vai ajudar, são lanches de ervas de fogo. E não se engane, as coisas vivas viram você.
Saul aceitou o alimento, mas a olhou com desdenho.
— Não deve ser muito saboroso – disse.
— Não é, mas vai te manter enérgico para continuarmos. Por isso eu preferi não trazer Vigur, ele não resistiria.
Victor consentiu. Disse:
— Só me deixa respirar um pouco, e então continuamos.
Vorax foi até uma colina próxima, retirou uma pequena bola com luzes e sensores, e a lançou para o alto. Abriu a mão esquerda para ver a leitura do ambiente onde estavam.
— Mais sete minutos – falou para Saul. – Logo o sol vai nascer e seremos alvos fáceis neste lugar.
— Hum – o Capitão resmungou, torcendo a boca.
A caminhada continuou dura e pesada. Vorax sempre três passos à frente de Saul. Alguns rugidos distantes eram ouvidos, mas se perdiam no vento tão rápido quando surgiam. A manhã começava a raiar quando Victor avistou o vulcão ativo para a qual iam, cerca de vinte metros para o sul havia uma fortaleza abandonada de Montblanc. Vorax sinalizou ao acompanhante e indicou as ruínas.
Adentraram devagar, com as armas em punho, receosos de que o local pudesse ter se tornado esconderijo de ladrões, mas estava mesmo abandonado e destruído. Os sinais de saque estavam por toda a parte.
— Os bandidos temem Montblanc, acho que por isso não ficaram com a instalação – comentou Vorax, desativando suas espadas.
— É a primeira vez que entro em uma dessas – disse Saul.
— Essa ele só construiu para guardar o templo, não deve ter nada de especial aqui – Vorax falou. – Mas já invadi fortalezas de clonagem e são bem assustadoras, até para mim. Isso foi nas épocas em que eu ainda era visto como herói, agora sou tão infame quanto você. Ficou pior após você reaparecer e começar a destronar o deus deles, fazendo da forma que faz, principalmente. Eu tive que reagir com a mesma agressividade para nos manter vivos e seguros – indicou a entrada do salão. – Então o povo me associou a você e...
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Sete Vidas em Nove Mundos - O Segundo Final
Science FictionAs drásticas consequências recaíram sobre os mundos desfazendo toda a ordem vigente estabelecida. Os temidos tempos sombrios haviam chegado e ninguém estava, de fato, preparado para eles. As guerras por poder deram lugar à uma jornada de autodescobr...
