Ondas agitadas batiam no paredão de pedras cinzas espalhando água acima da mureta do jardim da mansão de Zancer, ao Sul de Montaja Elura. Não era uma construção grande, haviam dois pisos em uma arquitetura modernista com vida natural. Além da visão para o mar, uma floresta de árvores altas decorava as laterais da casa e a estrada até a cidade. Era possível ouvir alguns dragões rugirem dentre os sons suaves das águas e dos outros animais.
Narija assistia o mar com a ansiedade estampada no rosto surrado pela brisa. Seus braços estavam agarrados ao corpo e sua mão segurava uma caneca de chá quente, que demonstrava seu nervosismo.
Zancer se aproximou devagar.
— Está tudo bem? – Perguntou ao se sentar à mesa de pedra.
— Só estava pensando sobre tudo e como as coisas vão ser daqui em diante – respondeu a mulher.
— Bobagem – rebateu Zancer. – Não pense muito. As coisas não vão mudar só porque você pensa mais ou menos nelas, por isso que nós planejamos e agimos. Porém, imagino que não seja apenas isso vagando pela sua cabeça, não é? – Sugeriu o lugar à frente.
— Hoje é o nono dia da morte de meu pai – ela disse, e então foi até a cadeira e se sentou. – Estou ansiosa para ver Feivi pagar.
— Quer mesmo acompanhar a missão? – Indagou o governador.
— É claro, devo isso ao meu pai – respondeu Narija, decidida.
— Só estou dizendo que pode ser perigoso, com certeza haverão clones no palácio – bebericou o chá e mordeu o pedaço de uma bolacha.
— Não tenho medo, não tenho nada a perder – rebateu Narija em um tom forte. – Só quero ver ela sofrer antes de aceitar minha punição.
O assunto foi interrompido quando Saul e Vigur entraram através da porta de vidro da sala, Caiva vinha com eles.
— Estava lendo algumas notícias de Satsu Man, os protestos estão acontecendo em vários lugares do planeta – disse Saul. – Isso pode ser bom para a infiltração – se sentou à esquerda de Zancer. – Admito que estou com um pouco de medo. Este não é mais um mundo para falsos heróis como eu. Falou com os outros governadores?
— Não concordo com o que diz – rebateu Zancer. – Não é porque as pessoas esqueceram do passado que ele deixou de existir – sua voz era de um tom irritado, mas não bravo. – E sim, falei com os outros, mas não consegui nada conclusivo, Feivi é bem persuasiva.
Um rugido forte e grave ecoou, a vibração passou pelos líquidos na mesa, fazendo quase todos se assustarem. Zancer permaneceu calmo e despreocupado com seu olhar distraído, então surgiu um sorriso no canto da boca ao bebericar o chá.
— Você deve ter sérios problemas mentais para manter dragões tão perto da sua casa – comentou Saul, olhando para cima.
— São criaturas incompreendidas – rebateu Zancer. – Eles são um pouco ferozes, concordo, mas também são territoriais, sabem que aqui é meu lugar – se levantou e andou até o limite da mureta. – E são ótimos para uma entrada triunfal. Narija, ajude-os com os disfarces e vamos nos preparar para partir ainda hoje – deixou o copo sobre a mesa e saiu.
Haviam alguns funcionários selecionados pelo governador para se manterem na mansão, mas nenhum deles sabia que os capitães estavam hospedados ali. Toda a movimentação era feita prestando total atenção na localização deles dentro da casa, e apenas nas áreas que eles estavam proibidos de acessar. Abaixo da área de serviços, atrás de uma comporta de segurança, ficava um pequeno espaço secreto onde Zancer e os seus aliados preparavam seus planos sigilosos.
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Sete Vidas em Nove Mundos - O Segundo Final
Science FictionAs drásticas consequências recaíram sobre os mundos desfazendo toda a ordem vigente estabelecida. Os temidos tempos sombrios haviam chegado e ninguém estava, de fato, preparado para eles. As guerras por poder deram lugar à uma jornada de autodescobr...
