A cidade de Vale Paraíso, capital do majestoso planeta de Holover e referência de civilidade em toda Exkepclu, vivia dias agitados por conta dos acontecimentos no sistema. Um mês fechado para entrada de qualquer coisa que não fosse suprimentos, Holover começava a sentir os efeitos que, antes, conseguia evitar com facilidade.
Vale Paraíso não era uma cidade fortificada como muitas outras no Universo Expandido, ela não foi criada em meio às guerras, e isso a deixava em desvantagem. Sua fundação era no meio de um extenso rio e acima de uma cachoeira com pouco mais de vinte metros. A ocupação se deu dos dois lados do corpo d'água, e sobre algumas ilhas que filtravam a correnteza antes de ela cair para a continuação da torrente. A parte que se formou nos leitos abaixo da catarata era considerada a região pobre de Vale Paraíso, ainda que fosse extremamente cara. Toda a particularidade da região não impediu a metrópole de ser gigante e esplendorosa com seus edifícios modernos e sofisticados. As ruas eram largas, as praças de pedras claras sempre cheias de vida, e o rio era mantido sempre limpo e longe dos descartes de lixo. Os paredões paralelos à queda d'água eram usados para sustentar escadarias e estradas que levavam à parte de baixo da cidade. Vale Paraíso era uma estrutura urbana invejável, e por isso era conhecida como o lugar dos poderosos de Exkepclu.
A alguns quilômetros dali ficava a sede dos rebeldes, onde Vigur e Saul estavam hospedados havia meses. Uma organização silenciosa das forças aliadas havia tomado Assos e as atenções estavam viradas para onde a ação acontecia. Patritch havia chegado e saído tão rápido quanto poderia para manter a atenção em si, e agora todos tinham certeza que os capitães eram criminosos. O mínimo apelo popular que conquistaram se esvaiu com as consequências dos atos nos mundos.
— Estávamos achando fielmente que não precisaríamos de vocês para a retomar Exkepclu, mas erramos feio – disse uma rebelde vestida com o traje de general. – Acho que é melhor se prepararem, vocês terão que lutar – se aproximou de Vigur e Saul. – Senhores?
— Não me surpreende que depois de tantos ciclos a força rebelde ainda tenha problemas com a prepotência – rebateu Vigur. – Vocês nos tiraram das reuniões de planejamento, deviam assumir as consequências.
— Desculpe, capitão Vigur, mas vocês não estavam...
— Psicologicamente preparados?! – Esbravejou Saul. – Já foram dois sistemas e a antiga frota da capitania imperial. Acho que estamos com um bom índice de desempenho, não acha, Vigur? – Ironizou com tons pesados na voz. – Tenho certeza que se Justav estivesse bem esta conversa não estaria acontecendo! – Deu alguns passos para a general.
— Iurdogar, se acalme – pediu Vigur, segurando o braço de Saul.
— Sei que não estão satisfeitos com a nossa atuação, mas insisto para que lutem por nós de novo – implorou a general. – Quanto ao nosso querido Justav, acreditamos que ele não terá mais do que um ou dois dias e que se quiser vê-lo, é melhor ir agora. Sei que têm uma história muito forte juntos no antigo império.
Saul se afastou, triste, foi ao parapeito olhar para os cânions que escondiam a fortaleza rebelde. Vigur percebeu, e sabia que Victor queria isso mais do que ele, então pediu, em um tom mais agradável:
— Iurdogar pode ir comigo, dessa vez?
— Sabe que não – respondeu a general. – Abrimos uma exceção para você por ser quem é, mas ninguém mais pode ter acesso a ele.
— Por favor, general – insistiu Vigur.
— De onde você o conhece? – A mulher indagou o Capitão.
Saul respirou fundo, viu a luz diurna abandonar calmamente os paredões de pedra marrons. Respirou fundo novamente, e respondeu:
— Digamos que Montblanc não é o único que resistiu ao tempo.
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Sete Vidas em Nove Mundos - O Segundo Final
Ficção CientíficaAs drásticas consequências recaíram sobre os mundos desfazendo toda a ordem vigente estabelecida. Os temidos tempos sombrios haviam chegado e ninguém estava, de fato, preparado para eles. As guerras por poder deram lugar à uma jornada de autodescobr...
