Sangue, Morte e Redenção

3 0 0
                                        

A porta selada deixava o ambiente escuro, mas não impossível de se localizar na instalação. Vorax tinha a ajuda de suas luzes para auxiliar a caminhada, ele foi na frente. De fato, não havia sinais de qualquer pessoa lá dentro, ainda que as atividades eram presentes no estado como os objetos estavam. A correria havia deixado marcas, o que deixou Saul contente ao perceber sua importância para Montblanc.

Eles não possuíam mapas completos, apenas alguns documentos que foram entregues por Mox. Muita coisa estava diferente, mas Vorax conseguia compor bem as simulações com as análises do ambiente.

— Você está bem, Saul? – Indagou Vigur.

— Estou bem sim, só um pouco ansioso – respondeu o Capitão.

— Entendo, nosso objetivo já está perto do fim – amenizou.

Já haviam andado bons metros, e deram algumas voltas perdidas no complexo fabril. Victor passou próximo a uma pia que estava com a torneira aberta, despejando água em um barulho que ecoava no salão.

— Vorax, está água está potável? – Perguntou.

O robô se aproximou e colocou o dedo indicador no fio d'água.

— Sim, nenhuma substância ou organismo estranho detectado.

Saul se abaixou e a bebeu com vontade, jogou um punhado em seu rosto e deixou que escorresse.

— Está quente aqui – comentou.

— Nosso caminho ainda é longo, não há qualquer registo sobre o corredor que Mardor indicou – disse Vorax. – Se hidrate também, Vigur.

O capitão se aproximou de Saul e usou um recipiente para pegar a água e beber. Notou que o amigo estava cansado.

— Saul, aqui não está tão quente assim – disse. – Você está sob o maior estresse que alguém poderia estar, tente se manter calmo.

— O capitão Tanvos tem razão – concordou Vorax. – Temos que seguir adiante, não sabemos como as coisas estão lá em cima.

— Você não sabe? – Vigur questionou.

Vorax o olhou, e indicou o caminho pela fábrica.

— Acho que algo está bloqueando meus sinais – respondeu o robô ao apontar o dedo para cima. – Não se preocupe, capitão, BB21 está no comando na minha ausência.

Caminharam por mais centenas de metros, indo escadarias abaixo até alcançarem a cidade construída por Montblanc. O complexo causava estranheza em todos, mas a excentricidade era algo comum em qualquer coisa onde os clones e Escolhidos estavam. Ali, mantiveram suas armas em punho e a atenção ligada em todos os cantos possíveis. Os edifícios e demais construções não eram altos, mas o espaço confinado impedia que vissem o que estava à frente. Vorax, às vezes, usava seus propulsores de impulsão para ver se cima, mas nem sempre conseguia enxergar algo.

Passaram pelas ruínas, viram templos dos escolhidos, bares, hotéis e locais de tratamento de água e esgoto. A iluminação falhava em alguns pontos da cidade, mas funcionava. A caminhada silenciosa foi quebrada por alguns passos apressados. Eram três clones que corriam em direção ao laboratório. Um deles estava com uma armadura completa, e os outros dois vestiam túnicas azuis.

Saul seguiu para o local sem esperar os outros.

— EI! – Gritou o Capitão, lançando sua espada em rotação contra os inimigos, que estava em uma avenida paralela.

Dois deles foram atingidos e morreram na hora, o guerreiro e um dos que vestia túnica. A espada de Jalium ficou cravada na armadura.

— Sabe o quanto isso dói?! – Esbravejou Montblanc, triste.

Sete Vidas em Nove Mundos - O Segundo FinalHistórias para pegar e não largar. Descubra agora