A Queda da Cidade que Voa

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O oitavo sistema havia se dividido, duas guerras aconteciam ao mesmo tempo. Os vários soldados se enfrentavam em campos abertos e sanguinários. Rusdofar havia se tornado o reduto de peregrinação de fiéis do Prometido, e lá acontecia um embate feroz entre os povos e os Aliados. Do outro lado, em Porto de Farga, o combate pelo controle do sistema abalava Fargopoletânea. Os soldados restantes das forças corporativas atuavam no caos para atingir os objetivos frustrados de seus empregadores. E de novo, não obtinham sucesso. Parte da culpa era a presença de Saul Victor entre os mundos, o que fez com que a população os ignorasse.

Triste e isolada, ainda que seus pedaços em órbita chamassem a atenção desejada, estava Alador. Mox vivia protegido há dias, mas todos sabiam que Luzalá não era, de fato, a capital do sistema. E os conflitos nunca chegaram à cidade flutuante, já que o controle se estabelecia pelas sedes de Fargopoletânea.

— Senhor, recebemos a informação de que Fargopoletânea cairá em breve. Você e o capitão Saul são aguardados – disse a piloto Aliada que comandava a nave. – Sugiro que se preparem.

Victor jogou um olhar suspeito para Vigur. Se voltou à piloto:

— Por um acaso, consegue pilotar uma cápsula de fuga em espaço aberto sem nos matar? – Indagou.

A mulher riu. Respondeu:

— Não, a última vez que ouvi falar de algo parecido, o resultado foi desastroso. Não foi, capitão Vigur?

Vigur pensou em concordar, mas Saul o interrompeu:

— Aquilo foi em outras circunstâncias, estava planejado. Aqui o cenário não está tão ruim, e você só precisa me levar até ali – apontou para o centro de Alador. – Acha que conseguimos?

— Talvez – ela disse, analisando o espaço aéreo.

— Ótimo, já é alguma coisa – Saul concordou. – Vigur vai cuidar da distração para nós, e você vai nos levar onde realmente importa para a nossa vitória. Qual é o seu nome mesmo? Gosto de conhecer as pessoas que me ajudam – perguntou.

— Sulí, senhor – ela respondeu.

— É um belo nome, muito forte – disse o Capitão, pensativo.

O controle espacial do sistema estava bagunçado o suficiente para que qualquer nave passasse despercebida. Então, uma cápsula de fuga no meio de centenas de transportes era praticamente invisível.

Sulí tinha um controle ágil do módulo, era desconfortável dirigir o pequeno veículo com pouco espaço, mas ela conseguia. Saul tentava não atrapalhar muito, já que seu tamanho a incomodava bastante. A cápsula entrou em queda flamejante, mas a atmosfera de Alador havia se tornado menos densa com o colapso. A capital ficava em um ponto alto, entre as montanhas nevadas e a lava ardente, e isso facilitava a aterrisagem.

Ambos saíram com as pernas bambas, mas estavam bem próximos da cidade, e vivos. Não se podia dizer o mesmo do transporte.

— Fique aqui, é mais seguro – disse Saul. – Mantenha as armas em punho e fique alerta. Você tem o comunicador, me avise – foi até a beira do penhasco para olhar Luzalá. – Se eu não voltar em sete horas, você tem que pedir resgate. Caso contrário, volto para pegar você.

— Acho que é melhor eu ir junto – a mulher resmungou.

— Não, eu preciso ir sozinho – Victor disse. – Você já me ajudou muito me trazendo até aqui, Sulí – pegou suas coisas e saiu.

— NAVIO, CAPITÃO E TRIPULAÇÃO! – A piloto gritou.

Saul levantou a mão direita e sinalizou, mesmo de costas.

Sete Vidas em Nove Mundos - O Segundo FinalHistórias para pegar e não largar. Descubra agora