A Nova Realidade

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Dezoito ciclos haviam se passado desde a última retomada nos sistemas do antigo império. A vida das pessoas estava dentro de uma nova realidade, uma onde o império era apenas algo de um passado gravado em registros históricos abandonados.

Nos primeiros ciclos após as subversões, a população tentou lutar contra Montblanc e suas forças, sem sucesso. Os primeiros a reaparecer foram os rebeldes, ainda liderados por Justav Gourslaio e se baseando na ideia de independência dos clones. Logo depois, a Irmandade Vermelha também começou a assumir ataques nos sistemas. E por fim, a Aliança Imperial surgiu carregando a bandeira do antigo império e pregando a declaração de Alfro Liatu. Todavia, os grupos eram fracos e não tinham apoio popular, o que dificultava suas ações e tornava-os marginais mal vistos pelas novas gerações.

Para combater as oposições revolucionárias, as corporações mais poderosas que existiam se uniram aos governos. As empresas criaram verdadeiros exércitos treinados e armados e disputavam o mercado com violência e injustiça. Aos poucos se iniciou uma guerra corporativa que tomou todos os mundos de forma discreta. A corporação Ulstron foi a primeira a usar arma biológica contra os revolucionários e concorrentes comerciais em locais públicos. O Ramo Vermelho era uma droga viral que foi criada para potencializar os atributos das espécies, mas acabou se tornando destrutiva e viciante a longo prazo. Passou a ser comercializada ilegalmente e a doença se espalhou entre os mais pobres, causando um pandemônio e desestabilizando governos. Milhões de pessoas morreram até que conseguissem controlá-lo, até mesmo animais foram afetados.

Após o nono ciclo das repúblicas unificadas, os conflitos entre as nações já eram quase inexistentes. As guerras civis também perderam a intensidade, e então houve um grande crescimento e reestruturação do Universo Expandido. Os clones já não se escondiam mais, tinham suas próprias cidades e, em casos muito excepcionais, interferiam na política dos mundos. As guardas de cada sistema foram sendo aceitas pelo povo gradativamente e adquiriram certo respeito, tendo os líderes como heróis perante os povos. Entre dez e doze ciclos após a retomada, os templos da Luz foram invadidos e se tornaram templos do Prometido. Os sacerdotes da Luz passaram a ser caçados, assim como qualquer pessoa que fosse pega orando diretamente ao Pai. Se via imagens de Montblanc por todos os lugares, junto com os milhares de templos dos Escolhidos. Os mundos divinos passaram a ser ignorados e censurados, mas a Luz nada fez em relação aos atos hereges. Os seres de Luz sumiram dos locais sagrados e os mesmos foram saqueados. Todo o processo das sete vidas nos nove mundos passou a ser algo indiferente à existência.

— Todos glorifiquem o nosso Prometido – gritou um sacerdote dos Escolhidos para que todos o ouvissem, sua voz passou por todo o templo do navio Prisional. – Um dia o Pai nos disse que no mais negro dos céus, o ser mais puro viria. Não nascido de semelhantes, ele seria o mais poderoso que habitaria o caminhar. Dividido entre o bem e o mal, o Supremo decidiria o destino dos novos tempos. E ele nos foi entregue muitos ciclos depois, mas ele veio – completou o sacerdote. – Só há um Supremo que vive hoje, e ele é o nosso Prometido!

— Todos saúdam Montblanc, nosso Prometido – todos disseram em um coro monótono. – Nos guie pelos novos tempos até que nossas essências sejam levadas ao infinito, ó grande Supremo.

— ELE É TUDO E TODOS! – Exclamou o sacerdote, em um giro rítmico que deu origem a uma música batucada veloz. – Ó, Montblanc dos Supremos, nascido do nada para trazer a nova realidade...

As pessoas seguiam os movimentos com os braços para cima, mas suas expressões eram vazias. Os guardas de Nicei andavam pelas fileiras assistindo os prisioneiros do navio com atenção. Clones também iam de um lado ao outro, mas nos altos balcões dentro do templo.

Vigur estava a três fileiras da porta de saída, imitava os gestos como todos os outros, mas estava mais interessado no que acontecia ao seu redor. Esperava algo que não sabia ao certo o que era.

Sete Vidas em Nove Mundos - O Segundo FinalHistórias para pegar e não largar. Descubra agora