A nave de Zancer já era bem conhecida pelos planetas do sétimo sistema e por isso não tinha nenhum problema em entrar ou sair de qualquer um deles. Vez ou outra, algum guarda o parava e pedia a identificação, mas bastava um olhar do governador. Gragúrio era um dos destinos mais visitados de Zancer, porém, quase nunca ia para a capital do planeta, Montaja Elura, e suas redondezas.
A nave preta e amarela de porte médio fez um sobrevoo baixo por cima da periferia sombria de ruas largas e árvores altas. Quando chegou ao centro da metrópole, os vários edifícios monstruosos se erguiam das calçadas mórbidas. Então se aproximou da prefeitura, que ficava no mais alto das dezenas de platôs naturais, aos quais escadarias os conectavam e impediam o acesso de veículos terrestres.
— Preciso pegar uma coisa com o prefeito, vou tentar ser o mais breve possível – disse Zancer aos tripulantes escondidos. – Se chegarem perto do veículo, se mantenham em silêncio e atrás das caixas.
O governador saiu, olhou para os lados, recebeu os cumprimentos dos guardas e desapareceu para dentro da prefeitura. Alguns dos oficiais próximos até tentaram bisbilhotar a nave, mas desistiram quando Zancer apareceu novamente. Ele voltou sorrindo para o transporte, como se já soubesse da pergunta que viria.
— Como está a Safira de Fogo? – Indagou uma oficial que sorria como se seu dia dependesse daquilo. – Eu a vi voando por essas bandas esses dias atrás, mas não atacou ninguém dessa vez.
Zancer carregava uma caixa amarrada com fitas de couro, abriu a nave e a colocou no banco do passageiro. Então, respondeu:
— Ela andou fugindo mesmo, mas está mais feliz aqui do que em Satsu Man, e bem menos estressada – entrou no transporte. – Preciso ir antes que algum desastre aconteça. Tenha um bom dia, oficial.
— O que é Safira de Fogo? – Sussurrou Mardor. – Ou quem?
Zancer deu uma virada disfarçada para trás, mas ignorou.
A nave levantou voo e seguiu para o leste, alguns minutos depois e em uma distância razoável, disse:
— Saiam, mas tenham cuidado com as naves próximas – desceu o transporte devagar. – Principalmente você, Saul, até sugiro que fique nos fundos e embaixo dos panos – recomendou, com um olhar suspeito para o Supremo. – Safira de Fogo é um dragão fêmea que eu cuido para evitar que a façam mal de novo. Talvez irão conhecê-la, se formos para minha casa até que ficarmos prontos.
— O que foi fazer na prefeitura? – Questionou Victor. – E o que é que tem nessa caixa aí? – Sugeriu com o queixo.
Zancer sorriu de nervoso, em razão da desconfiança.
— O prefeito me devia por uma aposta, resolvi cobrar ele para nos ajudar a pagar pelo sumiço de vocês – respondeu. – Bons profissionais não trabalham de graça, e imagino que vocês não têm recursos.
— Eu tenho, só que está na Benção Branca – rebateu Saul.
— Então, você não tem – concluiu Zancer. – Falando nisso, onde ela está? Shuran rastreou o Universo Expandido inteiro, e até mesmo um pouco fora dos mundos, atrás do seu navio.
— Boa pergunta – disse Victor, lançando uma olhada confidente para Vigur. – Digamos que eu, meio que..., perdi.
— Como assim?! Bom, agora não importa – finalizou Zancer.
O transporte já havia saído da área dos platôs. Uma floresta densa parecia ter tomado a cidade gradativamente, até que Zancer baixou mais a altura do voo e revelou o subúrbio embaixo das copas das árvores.
— Para onde está nos levando? – Perguntou Vigur.
— Até uma amiga, hoje ela vive nas favelas de Montaja Elura por conta do histórico de brigas com o governo – respondeu.
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Sete Vidas em Nove Mundos - O Segundo Final
Ciencia FicciónAs drásticas consequências recaíram sobre os mundos desfazendo toda a ordem vigente estabelecida. Os temidos tempos sombrios haviam chegado e ninguém estava, de fato, preparado para eles. As guerras por poder deram lugar à uma jornada de autodescobr...
