Cipherion havia acabado sua corrida matinal, admirado os vales dos caminhos da colina e relaxado em uma das piscinas naturais e escondidas na floresta. Como de costume, ele passava em sua casa e trocava de roupas, para então voltar sua atenção ao laboratório ou a um dos templos. As coisas haviam mudado, e seu inquilino indesejado já não passava tanto tempo à vista. Os clones, agora, andavam armados e pronto para o confronto o tempo todo, assim como muito dos Escolhidos e sacerdotes que lutavam.
Assim que os navios da frota de Saul saíram de Alador, os clones começaram a se preparar. Haviam feito suas entregas com antecedência e retornaram os pedaços do Vestígio. Importaram centenas de milhares de suprimentos para se manterem no cerco o máximo possível. A infecção do Ramo Vermelho era drástica, e Montblanc havia trazido e mantido na lua muitos clones, para segurar o contingente. Todo o tipo de arma usado nas fortalezas no início da retomada, eram restauradas e recriadas para as entradas dos laboratórios e templos. Apesar de todo o clima preocupante e do militarismo absoluto, havia uma estranha aura de calma.
Eis que, certo dia, os radares captaram a presença da Nuvem e dos outros navios próximos do sistema onde a lua ficava. Nem todos agiram de acordo, ainda que fosse um evento esperado. Os Escolhidos passaram a ser mais cautelosos, treinando suas habilidades com mais frequência e arriscando usar poderes dos deuses antigos. Montblanc, porém, agiu com o entusiasmo de alguém que esperava por um antigo amigo. Separou os cavaleiros que estavam na lua, e os manteve na pirâmide, onde ninguém podia entrar, nem mesmo Cipher.
O entardecer havia chegado, os clones se organizavam para todos os cantos das áreas habitadas. Recolhiam os civis e os animais, os outros iam para seus pontos de guarda, e alguns subiam as naves para monitorar os céus e horizontes. Cipher caminhava próximo de uma das novas torres de observação, faltava alguns minutos para a noite chegar, então decidiu subir na torre para uma conversa. As escadas levaram a uma sala aberta onde estavam três clones.
— Olá, senhor – disse Cipher.
— Cavaleiro – respondeu o mais à frente da entrada. – Não devia estar indo para a casa? O toque de recolher...
— Está tudo bem, não há perigo algum – interrompeu Cipher.
— Como tem tanta certeza? – Rebateu o clone. – Não sabemos se eles já estão aqui. Talvez só estejam aguardando um sinal. Eu estive com esses grupos por muito tempo para saber que são traiçoeiros.
— Talvez, mas só vão atacar quando Saul chegar.
— Falta quanto tempo? – Indagou Montblanc, com receio do que a resposta poderia causar.
— Eu vi ontem, na velocidade em que estavam, levariam algumas horas até chegar na zona de perigo – disse Cipher, com cautela.
— Então logo serão visíveis daqui – concluiu o clone. – Eles não estão mais na zona de perigo, passaram por lá hoje mais cedo.
— Ah..., e como foi? – Cipherion perguntou, em um tom pesado por já imaginar o que havia acontecido.
Um dos clones deu um riso nervoso, outro respondeu:
— Um massacre – se virou para o amigo, observando-o. – Nem se quer tive chance de chegar perto. Eram muitos navios, eu estava só com algumas partes do Vestígio. E, obviamente, eu não consegui ver nada do que carregavam nas embarcações. As naves foram modificadas, e eles já esperavam por isso. Se apenas a Benção Branca estiver cheia de pessoas prontas para lutar, não teremos a menor chance. Isso sem contar as armas que eles podem ter – o clone que estava em pé à direita tossiu uma bola de sangue branco coagulado. – E, comigo nesse estado, não é vantagem ser um Supremo – esboçou um sorriso triste. – Minha ajuda interna não pode me decepcionar logo na conclusão.
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Sete Vidas em Nove Mundos - O Segundo Final
Science FictionAs drásticas consequências recaíram sobre os mundos desfazendo toda a ordem vigente estabelecida. Os temidos tempos sombrios haviam chegado e ninguém estava, de fato, preparado para eles. As guerras por poder deram lugar à uma jornada de autodescobr...
