Navio, Capitão e Tripulação

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Por alguns quilômetros, a multidão se espremia nos entornos da prefeitura de Assos, e os pequenos conflitos faziam volume aos grandes e violentos. As populações de diferentes pensamentos disputavam a atenção das autoridades com suas solicitações fervorosas.

As tropas do governo exkepclano já eram conhecidas há muito por sua agressividade e corrupção e, na situação, só havia piorado. Atília era rígida e comandava à base de força e medo, mesmo que, por várias vezes ao longo do governo, Montblanc a repreendesse pelos seus atos.

Os clones de Montblanc estavam por ali, espalhados em grupos de três e armados para o combate. Um templo do Escolhido acolhia feridos e inocentes em meio às batalhas que aconteciam. Muitos eram moradores da região que foram expulsos de suas casas para que elas fossem usadas como base estratégica. A cidade estava em caos, e as orações aos clones pediam a saída de Atília do poder. Do outro lado, os Aliados resgatados ainda com vida pediam a Montblanc que interferisse para acabar com as tropas corporativas, que se aproveitavam da manifestação.

— Me diga, Aliado, o que vocês realmente querem? – A pergunta veio de um dos clones que carregava um olhar de compaixão.

— Derrubar a cafetina, dar liberdade e dignidade ao povo sofrido de Exkepclu e trazer de volta os tempos áureos – respondeu a mulher que agonizava em seus ferimentos. – Você não é o único que acolhe pessoas inocentes dos campos de guerra do Universo Expandido.

— É claro – concordou Montblanc, pensativo. – Patritch está aqui e lutando por vocês. O capitão Vigur e o amigo dele também?

— Eu não sei – ela respondeu. – Eles fazem o que querem.

— CUIDEM DELA, POR FAVOR – o clone gritou para o salão.

Alguns sacerdotes do Prometido vieram atender o pedido do clone e levaram a rebelde para outra sala. Montblanc foi até a entrada do lugar para ter uma vista melhor da dimensão da invasão.

Um homem surgiu com seu filho nos braços, atrás dele vinha sua mulher com outra criança. Ele parou diante de Montblanc, entregou seu descendente à esposa e se pôs de joelhos. Orou:

— Por favor, meu Prometido, me ajude a defender meu legado dos que desejam o poder acima de tudo – chorou. – Tudo bem se não houver espaço para mim, mas leve-os – sugeriu sua família.

O clone se abaixou, observou os hematomas em todos eles.

— Me dê a direção – pediu.

— Corporativos – ele disse. – Enviados por..., Atília.

O rosto de Montblanc demonstrou a fúria que sentia, a mesma que há muito o havia abandonado.

— Vão todos vocês para dentro – ordenou o clone.

Este mesmo clone sacou sua espada na mão direita e sua arma de disparo na esquerda. Desceu as escadarias e foi em direção à multidão com passos firmes, onde outros clones logo se uniram a ele. Os golpes inevitáveis que recebiam eram rebatidos com a mesma intensidade para impedir que a atenção fosse dispersada. Em minutos, eles eram muitos e o tamanho de todos eles chamaram a atenção. A massa começou a abrir caminho para os clones passarem.

General Patritch estava no fim da avenida, bem em frente à praça de acesso à prefeitura, junto dele estavam alguns Aliados. Os soldados do governo também estavam por perto, e prontos para atacá-los, se não fosse a presença de todos aqueles clones. Montblanc parou, se espalhou para que separassem os manifestantes do foco da invasão.

— O QUE VAI FAZER? – Gritou Patritch.

Um clone, o que estava mais à frente, sinalizou para que fizessem silêncio e guardou suas armas, levantou ambas as mãos.

Sete Vidas em Nove Mundos - O Segundo FinalHistórias para pegar e não largar. Descubra agora