Um Pressentimento de Capitão

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A cidade de Folauto, capital de Balicso, havia crescido muito mais nos últimos sete ciclos do que em toda sua existência durante o regime do império. Vários fatores influenciaram para que isso acontecesse, e o mais importante deles era que, antes, toda a atenção do sistema focava em Prit. Isso fez com que Folauto ficasse em seu aspecto moderno antigo, ainda que muito tecnológico. Havia muitas cores nas grandes estruturas, poucas arestas e cantos arredondados banhados do mais puro neon fluorescente. Tudo que era produzido lá, mantinha o tom rústico aprimorado, com sutis toques de delicadeza.

Assim que Saul desceu da nave, perto de um esconderijo ao norte da formosa cidade, se lembrou de quando visitou Balicso pela primeira vez, acompanhado de Cália. Vigur se surpreendeu por finalmente ver que as mudanças que ouviu eram verdadeiras e mais belas do que imaginava.

— Um amigo me falava que Folauto estava irreconhecível quando estávamos em Nicei – comentou o capitão. – Não concordo, ainda a vejo como a cidade que parou no tempo, reconheço as vielas, mas...

— Capitão Vigur? – Indagou uma voz feminina. – Eu sou Antúlia de Lôporas, expedicionária enviada por Zancer.

— Expedicionária? – Questionou Saul.

— Sim, senhor Iurdogar – ela respondeu. – É um título usado nas forças das alianças. No meu caso, sou rebelde, mas temos imperialistas e membros da Irmandade Vermelha. Imagino que, depois de uma viagem tão longa, estejam cansados. Preparamos aposentos para vocês.

Antúlia entrou para o alojamento seguida dos capitães. O lugar era espaçoso e bem receptivo, ainda que deixasse claro que era uma base de guerra preparada. Ambos eram recebidos com entusiasmo por qualquer um de qualquer grupo, ali, todos pareciam iguais em seus ideais. Em um corredor no alto, com visão do pátio interno, a mulher lhes entregou as chaves de seus quartos. Vigur foi o primeiro a entrar.

— Obrigado – disse, cordialmente.

Saul fez o mesmo, e logo se jogou no amontoado de feno e penas amarrado em couro e forrado com um tecido suave e leve.

A mulher, na porta, disse:

— O governador Zancer me pediu para te entregar isso – tirou um bilhete de seu traje e colocou sobre um balcão na entrada. – Eu e outros expedicionários estamos à disposição. Até mais – saiu e fechou a porta.

— Quer ajuda para retirar a prótese? – Perguntou Vigur.

— Não vou tirar ainda – respondeu Saul. – Não confio tanto assim nesse monte de opositores, são todos rebeldes aprimorados – foi até uma fruteira e pegou uma pera celeste. – Há muitas chances de se voltarem uns contra os outros, já vi isso acontecer nos meus dias de império.

— Você está paranoico – rebateu Vigur.

— Sim, tanto quanto imaginar que um dia o tão sólido império universal cairia – debochou Saul. Foi até o bilhete sobre o balcão e o leu em voz alta. – Senhores, não façam nenhuma besteira. Alertei as ajudas que conheço em todos os sistemas, vocês não estão sozinhos. Não será necessária pressa, um dia alcançaremos o objetivo...

— Ele não deve saber que o código-fonte Supremo surgirá muito em breve, não é? – Comentou Vigur.

— Ninguém mais liga para isso, só eu e Montblanc – Saul rebateu com tristeza na voz. – Na verdade, talvez só eu – voltou a ler o bilhete sem muita expectativa. – Abaixo eu indiquei quem precisa sumir e quem precisa ser encontrado, para assumir o poder do sistema. A bagunça que fizeram em Satsu Man e no Nicei rendeu muita dor de cabeça, tentem ser mais discretos. Como já sabem, as comunicações entre os mundos estão comprometidas e não são confiáveis, mas tenho alguns bons traficantes de informação em todos os planetas. Tomem cuidado.

Sete Vidas em Nove Mundos - O Segundo FinalHistórias para pegar e não largar. Descubra agora