Cipherion cavalgava pelas florestas à oeste do laboratório na lua de Montblanc. Ouvia-se o vento bater nas folhas das árvores e fazer um ruído suave que era perturbado apenas pelos sons dos animais distantes. Cipher parou no alto da montanha, respirou, mas o ar era rarefeito demais. Observou a pequena entrada da instalação que não demonstrava o que havia abaixo do solo. Ao fundo, as nuvens negras se anunciavam entre relâmpagos e trovões.
— Vamos, garotão – disse, e deu um toque leve no pescoço de sua montaria, a criatura se virou para a floresta. – Bom garoto.
Desceu a colina rápido e suave, deixando um rastro de garras no barro da trilha. Passou devagar nos terrenos de plantio, alguns clones trabalhavam na área com sincronia. Foi até um armazém próximo para deixar os equipamentos da montaria e o animal na baia.
— Que bom que está aqui – disse um clone. – Estou chegando em alguns minutos e preciso falar com você, mostrar algo que encontrei em uma jornada – guardou um saco de grãos. – Pode deixar que eu guardo os equipamentos e levo o animal para o estábulo. Me espere na sua casa e prepare aqueles bolinhos doces para comermos com um vinho de pera celeste ótimo que estou trazendo.
— Pode me adiantar sobre o que é? – Perguntou Cipher.
— Não quero estragar a surpresa – respondeu o clone. – Acredito que seja algo que você vai se interessar muito.
Cipherion consentiu. O lugar parecia bem mais amigável do que quando o viu pela primeira vez. As árvores estavam grandes e dando frutos e as plantações cobriam boa parte do vale, o gado agora tinha seus lugares próprios. A entrada do laboratório havia tomado um aspecto mais residencial que deixava Cipherion feliz ao se lembrar de sua infância nas fazendas de Xoge. As áreas industriais foram levadas para longe junto com os portos e os postos militares. Montblanc estava construindo um rancho na colina ao norte para Cipherion passar seus dias.
Seguiu a pé pela estrada batida. A lama da terra úmida grudava em seus sapatos, o que o fazia arrastar os pés no gramado. Cipher deixou os calçados em um local apropriado e subiu uma pequena escada para a varanda com visão para o vale. A noite estava chegando, e com ela a chuva fora anunciada. Cipherion entrou e preparou um banho quente ao mesmo tempo que colocava alguns bolinhos para assar.
Não muito tempo depois, um clone surgiu na entrada da varanda carregando um pacote não muito grande.
— Boa noite, amigo! – Disse, entusiasmado.
— Está feliz, que estranho – comentou Cipher. – Os bolinhos não estão prontos ainda – empurrou uma cadeira para Montblanc. – Sente aí e vamos aproveitar essa alegria antes que ela acabe tragicamente.
O clone riu.
— Comeremos quando estiverem prontos – falou, então entrou e se sentou. – Peguei o pacote quando cheguei, para agilizar – olhou para a linda paisagem. – Nunca tinha reparado como é bonita a vista daqui.
— Sim, eu já vejo com bons olhos – disse Cipherion. – Por onde andou esse tempo todo? Ou ainda anda, não sei. Como vai seus planos?
Montblanc colocou o pacote no chão, ignorando-o por um tempo.
— Eu andava, deixei clones lá, mas é fora do sistema, então não estou conectado a eles – disse. – Acredito que os planos vão melhor do que o esperado, preciso trazer um de cada lugar para ter certeza.
— Eu encontrei mais cadáveres de clones – Cipher observou as reações negativas de Montblanc. – Ainda está se suicidando?
— Não quero que se preocupe com isso, Cipherion – respondeu o clone, com seriedade. – E, tecnicamente, eu não posso me suicidar.
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Sete Vidas em Nove Mundos - O Segundo Final
FantascienzaAs drásticas consequências recaíram sobre os mundos desfazendo toda a ordem vigente estabelecida. Os temidos tempos sombrios haviam chegado e ninguém estava, de fato, preparado para eles. As guerras por poder deram lugar à uma jornada de autodescobr...
