Mortarrão, a capital de Rusdofar, vivia seus piores dias em meio aos conflitos da guerra corporativa. Os campos de batalha iam das regiões mais nobres às mais pobres, principalmente nos entornos das periferias. A guarda aladoriana só interferia em casos que envolviam muitos civis ou o próprio governo, mas faziam vista grossa na maioria das vezes. Shuran sempre estava incluído também, isso porque os navios que faziam transportes para fora dos sistemas agora estavam sob seu poder. Montblanc havia deixado claro que ninguém devia sair dos sete mundos sem autorização. Com isso, a ideologia de guerra tomou proporções maiores nos sítios arqueológicos dos mundos civis.
A cidade, que já era cinzenta e de aspecto destruído, parecia uma tentativa frustrada de civilização. Exércitos surgiam entre as areias que invadiam as ruas estreitas e se acumulavam na praça em frente ao prédio de vidro da prefeitura. Mox estava lá, perdendo tempo em uma discussão que possivelmente não levaria a nada, mas que tinha que acontecer.
— O sítio arqueológico das cavernas de Rusdofar Norte já estava em posse da Federação Tersodon – disse um dos executivos. – E isso foi muito antes de Montblanc aparecer e tomar o governo de Alador!
Uma mulher de olhar perverso se colocou à frente, era a executiva enviada pela Associação Nairel. Ela esbravejou:
— Zira havia um acordo de exploração conjunta com a Nairel, era o primeiro contrato de diversas áreas em todo o oitavo sistema!
— A Nairel, e nem nenhuma outra empresa, vai colocar os pés no sítio norte, ou qualquer outro em Rusdofar! – Rebateu o homem.
Os exércitos da Tersodon brandiram suas armas, e os soldados da Nairel fizeram o mesmo em resposta, mas ninguém atirou. A discussão infundada continuou no salão, até que a confusão tomou conta da ordem do lugar. Shuran desceu as escadas do trono, passou por Mox e nem foi notado pelos exércitos. Balançou o braço direito, fazendo suas lâminas atravessarem o espaço, separando os dois lados do falatório e ferindo o executivo da Tersodon. Jogou uma olhada com meio sorriso para Mox e sugeriu alegremente o ato, mostrando sua satisfação em fazer aquilo.
— Agora que as crianças pararam de chorar, podemos conversar como adultos? – Indagou Shuran, retoricamente. – Para começar, quero os exércitos fora do salão, este é um lugar de respeito e diplomacia.
O homem segurava sua mão ferida, sangue pingava no chão cor de terra vermelha. A mulher parecia séria, mas tentava esconder o riso pela situação de seu adversário.
— Isso mostra de quem será aquelas terras – disse ela, mesmo em tom cômico. – A Tersodon que volte a rastrear cometas.
— Não seja estúpida – rebateu Shuran. – Poderia muito bem ser a sua mão a atingida. Para ser honesto, eu queria que fosse a de ambos.
Mox se levantou do trono e desceu os degraus, fez um sinal para que os servidores levassem os soldados para fora.
— Vou ser direto, não quero perder mais do meu tempo com essa baboseira corporativista – disse, apoiado por Shuran. – Todos os terrenos arqueológicos dos sete mundos civis pertencem à Montblanc agora.
— Isso não é justo! – Brigou a mulher. – Tínhamos um acordo de exclusividade com Zira e...
— E ele está morto – interrompeu Shuran. – Assim como Cália e o império – falou para o homem. – Pois, reforço o que foi dito pelo meu amado camarada, querido governador de Alador, cavaleiro de Montblanc e autoridade máxima nessa sala, os sítios já têm dono.
— Outra coisa, Montblanc já falou sobre os confrontos em áreas habitadas e vocês ignoraram. Na região de Rusdofar Norte tem uma vila até grande, certo? – Indagou Mox, foi à porta e a abriu. – Vocês devem explicações a ele e à algumas pessoas que ele julga importante.
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Sete Vidas em Nove Mundos - O Segundo Final
Ciencia FicciónAs drásticas consequências recaíram sobre os mundos desfazendo toda a ordem vigente estabelecida. Os temidos tempos sombrios haviam chegado e ninguém estava, de fato, preparado para eles. As guerras por poder deram lugar à uma jornada de autodescobr...
