Depois da apresentação do Altar dos Nove, alguns templos do Prometido foram abertos em todas as regiões na extensão da lua de Montblanc. Eram construções absurdamente grandiosas e que trazia a ideia que, nas cidades, não seriam tão bem aceitas. Só uma pequena parcela de fiéis pôde viver nas instalações, apenas o necessário para manter os templos.
Toda a área da pirâmide, laboratórios, fábricas e demais locais de interesses exclusivos de Montblanc, eram proibidos aos fiéis. A entrada de peregrinos e a saída de qualquer informação também era controlada de perto por Montblanc. O processo de locomoção entre os Escolhidos da lua e de outros mundos era feito pelos clones, e exclusivamente pelas viagens do Vestígio. Houve naves menores que tentaram chegar à lua de alguma forma, mas nenhuma conseguiu. Lhes faltavam a potência de um navio e um portal para encurtar o longo trajeto.
Cipher vivia cada vez mais isolado em sua casa na colina, vez ou outra ele saía para correr nas matas, ou tratar dos animais. Interagia com os clones sempre que possível, mas com papos rápidos. Evitava saber do que acontecia nos mundos, mesmo que, às vezes, a curiosidade levava sua atenção aos noticiários pirateados por Montblanc.
Aquele era um dia agitado, e Cipher assistia toda à movimentação de sua varanda. A noite havia chegado com uma chuva pesada, e fazia o ruído no telhado o irritar levemente. Após um jantar solitário, um clone bateu à porta, como de costume. Dessa vez, no entanto, não era como as outras noitadas de conversa fiada e aperitivos. Montblanc estava bêbado e parecia alegre, trazia duas garrafas de alguma bebida desconhecida e um pacote embaixo do braço.
— Nunca vou me acostumar com a disposição de vocês – disse o anfitrião ao abrir a porta. – Você está todo molhado, entre e se seque.
O clone riu, tentando tirar suas botas na porta.
— Eu preciso beber muito para chegar no ponto em que estou hoje e estou muito feliz em... ficar assim – ele disse, finalmente conseguindo tirar o calçado. – Traga um tapete, não quero sujar a sua casa – a voz era de uma moleza arrastada. – Eu achei isso em Exkepclu, algumas pessoas me deram porque tirei Atília do poder – sugeriu a garrafa. – Este não é o único tesouro que trouxe, na verdade.
Cipher reapareceu com alguns panos e os jogou no chão.
— Aqui – disse. – Pegue essa toalha.
O clone pisou nos tecidos, deixou escorrer parte da água em seu corpo e entregou os pacotes para o amigo. Passou a se secar.
— Sirva-se desta bebida, vai fazer você ver o mundo de uma outra forma totalmente nova – disse Montblanc. – Minhas roupas estão muito molhadas e..., acho que não tem uma para me emprestar, não é?
Cipher riu, analisando a bebida.
— Está um dia quente – ele disse. – Tire-as e deixe-as aí, não há problema nenhum para mim. E você nunca se importou com isso mesmo.
— De fato – concordou o clone. – São coisas de Supremos.
Cipher foi até uma mesa baixa no centro do cômodo e deixou os pacotes sobre ela, se sentou na poltrona ao lado. Montblanc retirou as roupas molhadas e se sentou no outro móvel, de frente para o amigo.
— Me tire uma dúvida – disse Cipherion. – Quando está alterado por substâncias externas, os outros sentem a mesma coisa?
O clone jogou os olhos para cima, tentando sentir.
— Sentimos que há uma estranheza em nós. Eu sinto que as coisas estão todas embaralhadas, mas a dor de cabeça amanhã todos sentiremos juntos porquê..., eu sei lá o porquê – gargalhou. – Amanhã respondo.
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Sete Vidas em Nove Mundos - O Segundo Final
Science FictionAs drásticas consequências recaíram sobre os mundos desfazendo toda a ordem vigente estabelecida. Os temidos tempos sombrios haviam chegado e ninguém estava, de fato, preparado para eles. As guerras por poder deram lugar à uma jornada de autodescobr...
