A luz da manhã de um dia quente passava pelas folhas das árvores distorcendo suas cores frias. A mata luminosa e viva escondia os perigos que Gragúrio lutava para manter secretos. Zancer dava cada passo com o máximo de cautela possível, com temor de que algum animal próximo o atacasse. O silêncio só era perturbado pelo ruído de uma cachoeira do outro lado do vale.
— Você está muito longe de casa – disse uma voz vindo da copa das árvores. – E, com certeza, está no planeta errado também.
Zancer se assustou, mas manteve a calma. Procurou pela origem do som, mas não enxergou nada. Parou para ouvir, mas sem sucesso.
— Apareça! – Ele gritou, sacando suas espadas.
De uma árvore à direita, desceu uma mulher que se pendurava nos galhos como se já fosse familiarizada com o ambiente.
— Não precisa das armas – ela disse, em reverência. – Eu só estou atrás de um amigo – sorriu. – Onde está seu uniforme?
— Não sou mais um mercenário – respondeu, mantendo as armas em punho. – O esquadrão Egius acabou, se quer algum serviço, é melhor procurar os antigos membros.
— Não se preocupe – rebateu a mulher. – Não estou atrás de um mercenário também. Sabe, ainda me pergunto o que faz aqui.
Zancer a olhou com desconfiança, observou suas roupas.
— Não estou atrás de lendas perdidas – disse Zancer, ouviu um galho quebrar atrás de outra árvore. – Quem são vocês?
— Somos soldados do Escolhido.
— Disso eu sei, reconheço o brasão no seu traje – afirmou Zancer com desconfiança. – Eu vou sair vivo dessa floresta? – Indagou.
— Com toda certeza – disse a mulher, caminhando para a direção do homem. – Digamos que seu destino o listou entre os mais importantes da história do Universo Expandido – parou na beirada da colina.
— O que quer de mim?
— Quero que venha comigo – respondeu a mulher, olhando-o por sobre o ombro. – Esperamos por você.
— E se eu recusar? – Questionou Zancer. – Vão me matar?
A Escolhida balançou a cabeça negativamente.
— Não há motivo para isso. Muitos lutam inutilmente pelo que está sendo ofertado a você, ninguém é insubstituível.
— Então a minha resposta é não – disse Zancer, retomando uma posição defensiva para todos os lados. – Só quero voltar para minha casa e seguir com a minha vida até a Mãe.
— Que assim seja – disse a mulher, assoviou para o alto.
Outros quatro soldados dos Escolhidos saíram da mata, passaram por Zancer e seguiram colina abaixo com a mulher. Um quinto soldado surgiu pela trilha e, ao passar por Zancer, deixou um saco no chão.
— O que é isso?! – Gritou, mas foi ignorado.
Chegou perto do saco e o cutucou com a espada, não houve reação alguma e o conteúdo era estranho. Então embainhou a espada, se abaixou e desamarrou o saco. Havia um filhote de dragão morto, com um arame enrolado no pescoço. Zancer engoliu seco, enxugou uma lágrima que apareceu no olho esquerdo, e correu em direção aos soldados.
Com um grito voraz, atacou com rapidez o grandalhão que havia deixado o saco. Quando o corpulento caiu, uma espada já estava em direção do pescoço do próximo, e a outra voava para o peito do que estava logo depois. Então a espada zumbiu no ar para mais um. Com um rodopio, Zancer retirou a espada cravada no peito do soldado e usou ambas para um corte horizontal paralelo no que estava à frente. Então se lançou com ambas para a mulher, mas ela já estava pronta para desviar.
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Sete Vidas em Nove Mundos - O Segundo Final
Science FictionAs drásticas consequências recaíram sobre os mundos desfazendo toda a ordem vigente estabelecida. Os temidos tempos sombrios haviam chegado e ninguém estava, de fato, preparado para eles. As guerras por poder deram lugar à uma jornada de autodescobr...
