Désirée despertou devagar, ainda sentindo o calor de Joshua no lençol ao lado. O espaço vazio denunciava que ele já havia se levantado. Sorriu de leve, imaginando-o ocupado com suas responsabilidades — talvez com Edward, talvez sozinho, perdido entre números e obrigações.
Por alguns instantes, permaneceu ali, abraçada ao travesseiro que ainda guardava o perfume dele. O corpo, preguiçoso, pedia mais alguns minutos; a mente, porém, sabia que o dia não esperava. Levantou-se, vestiu-se, e seguiu para o café da manhã. O salão estava silencioso — uma serenidade que combinava com o que sentia por dentro.
Os acontecimentos da noite anterior vinham em fragmentos doces: os olhos dele, escuros e famintos; as mãos que percorriam sua pele com uma reverência quase dolorosa; a forma como ele a chamava de amore mio, como se cada sílaba fosse uma promessa. Um arrepio suave percorreu-lhe a espinha. Era estranho — depois de tantos anos de distância, ele ainda tinha o poder de fazê-la sentir como se estivesse viva pela primeira vez.
Após o desjejum, foi procurar Liz e Sophie, que cuidavam das crianças no jardim. Ivy corria atrás de borboletas, e Alec observava o céu com uma concentração curiosa, como se tentasse decifrar o vento. Désirée se juntou a eles, riu das pequenas travessuras, e por um tempo esqueceu de tudo — da guerra que existia dentro dela, das verdades que carregava em silêncio.
Mas logo, o coração pediu sossego. Deixou as crianças sob os cuidados das moças e caminhou sozinha pelos jardins, guiada por um instinto antigo, até o lago. O mesmo lago que guardava lembranças de um piquenique, de risadas, e de um homem que ainda acreditava ser indigno do amor dela.
O vento balançava as folhas da grande árvore à beira d’água quando ela o viu — Michael. Sentado no tronco caído, o olhar distante, como quem tenta montar um quebra-cabeça de lembranças fragmentadas, mas ultimamente devia ser realmente isso que as lembranças dele eram, um infinito quebra-cabeça.
— Michael… — chamou ela, suavemente.
Ele virou-se, com um sorriso discreto.
— Achei que ninguém fosse me achar aqui.
— É difícil não vir até este lugar. Ele parece... vivo. — Ela se sentou ao lado dele, o vento brincando com os cabelos. — Pensando outra vez?
— Tentando lembrar. — Ele passou as mãos pelos joelhos, inquieto. — As imagens vêm e vão. E hoje… — respirou fundo — hoje me veio uma cena. Uma mulher, fraca, deitada numa carruagem de viagem. E o som de um bebê… dois, talvez.
Désirée se enrijeceu. As palavras dele trouxeram à tona lembranças antigas, dolorosas demais para ficarem quietas.
— Continue.
— Lembro que você estava lá. Chorava. E eu também estava. — Ele franziu o cenho. — Mas o que me confunde é que… as crianças não nasceram de você, não é?
O silêncio que se formou entre eles foi pesado, quase sólido. Ela demorou para responder. Quando respondeu, a voz saiu baixa, como um segredo que doía.
— Não, Michael. Não nasceram de mim.
Ele se virou, atento.
— Então, o que aconteceu de verdade?
Désirée respirou fundo e olhou para o lago. O reflexo da água tremia, como se fosse espelho das memórias que ainda a atormentavam.
— Quando o antigo duque nos mandou para Corland, logo após o Joshua ir embora, pediu que fôssemos ver o primo dele. Ele era o único herdeiro do título, mas infelizmente, estava muito doente, e o duque confiava apenas em nós.
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O Regresso Do Duque
RomanceLIVRO I (Série Return) Lorde Joshua Falstron sempre foi o preferido de seu pai, algo que se tornou um grande fardo para ele. Sua vida foi marcada pela falta de respeito às suas escolhas, com decisões sendo tomadas por outros. Até que um dia ele deci...
