Promessas

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Estava tudo tão escuro.
Tão frio.

O ar parecia preso dentro dos pulmões de Désirée, e o olhar distante no rosto de Joshua fazia tudo ficar ainda pior. Ele estava ali — e ao mesmo tempo, não estava.

Segurava as crianças junto ao peito, mas não com ternura. Seus braços eram muralhas. Ele as mantinha afastadas dela, como se a própria presença da esposa fosse um perigo.

— Por favor… — ela implorava, com a voz embargada pelo choro. — Joshua, não faça isso…

Mas o rosto dele continuava imóvel, duro como o mármore. Nenhuma centelha de compaixão. Nenhuma lembrança do homem que ela amava.

E então, por trás dele, entre sombras e fumaça, uma silhueta se formou. O brilho pálido de uma máscara surgiu, e por baixo dela, um sorriso. Um sorriso cruel.

O coração de Désirée se partiu quando Joshua jogou as crianças no chão, ao lado dela.

— Fique com elas — disse, virando-lhe as costas. — São tão sujas quanto você.

— Por favor! — o grito dela ecoou pelo vazio, enquanto agarrava os filhos com desespero. — Não os leve embora!

Mas ele já se afastava, desaparecendo na escuridão.

O chão pareceu ceder, e ela sentiu o corpo ser sacudido, como se o mundo inteiro balançasse. Vozes. Mãos. Um toque quente. A respiração ofegante de alguém muito próximo.

Désirée abriu os olhos.

Levou alguns segundos até perceber onde estava. O quarto era o mesmo — o quarto deles. A lareira lançava um brilho suave que dançava pelas paredes. Ela sentia o peso familiar do cobertor, o cheiro de madeira e da pele de Joshua misturados no ar.

E ele estava ali.

Joshua.

Deitado ao seu lado, com o cenho franzido de preocupação.

— Está tudo bem, meu amor — a voz dele era baixa, firme e terna ao mesmo tempo. — Foi só um pesadelo.

Ela piscou, confusa. Só então percebeu que estava chorando. Joshua ergueu a mão e, com o polegar, secou uma lágrima que insistia em escorrer-lhe pela bochecha.

— Desculpe por acordá-lo… — sussurrou.

Ele apenas balançou a cabeça e a puxou suavemente para si, guiando-a até que repousasse a cabeça em seu peito.

— Não se desculpe, meu amor. — O tom dele era calmo, quase um sussurro contra os cabelos dela.

Meu amor.
Duas palavras que vinham se tornando cada vez mais naturais entre eles. Tão simples. Tão perigosamente doces.

O som do coração dele batendo contra o peito a acalmava, mas a imagem do sonho ainda latejava em sua mente — viva, cruel, nítida demais.

— Que tal me contar sobre o que sonhou, e por que isso a abalou tanto? — perguntou Joshua, depois de um tempo em silêncio.

Désirée ergueu o rosto. Encontrou os olhos dele — os mesmos olhos que, há instantes, em seu pesadelo, a haviam olhado com tanto desprezo.

— Foi algo com as crianças… — respondeu, hesitante. — Não quero falar sobre isso agora.

Ela desviou o olhar e tentou se recompor.

— Acho que não conseguirei dormir mais. — E então, murmurou: — Deixe-me pegar sua máscara.

Joshua suspirou, um som quase imperceptível. Ela sabia o motivo.
Ele colocaria a máscara apenas porque percebeu que ela o observava.
Como se temesse que ela se incomodasse com as cicatrizes.

O Regresso Do Duque Onde histórias criam vida. Descubra agora