De volta ao lar III

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Liz ainda mantinha a mão entrelaçada à de Michael, como se temesse perdê-lo outra vez, quando Alec, sem conseguir se conter, avançou um passo.

Os olhos do menino brilhavam com uma emoção que parecia grande demais para seu pequeno peito.
E então, num sussurro carregado de reverência, ele disse:

— Tio Michael...

O som do título rasgou o silêncio como uma música esquecida.
Ivy, com a voz embargada, repetiu:

— Tio...

E num instante, as lágrimas que Alec tentava conter rolaram por seu rosto, enquanto Ivy soluçava, correndo para se agarrar à perna de Michael com um abraço desajeitado.

Michael abaixou-se, tomado por um instinto que transcendeu qualquer dúvida ou confusão.
Abraçou as duas crianças com força, escondendo o rosto nos cabelos de Ivy e Alec, como se quisesse absorver tudo que havia perdido.

Joshua assistiu à cena com o peito apertado.
A pureza daquele reencontro o atingia como um golpe.
Michael não precisava lembrar: seu coração sabia.

Passos apressados ecoaram pela entrada da casa.
Antes que pudesse virar-se, Joshua ouviu a voz de Edward, carregada de urgência:

— Désirée, espere!

Mas era tarde.

Désirée irrompeu no corredor, os olhos vasculhando a cena até pousarem sobre Michael.

Por um momento, tudo ao redor pareceu parar.

O tempo. O som. Até mesmo a respiração de Joshua.

Désirée soltou um soluço sufocado, e, num ímpeto irresistível, correu.
Jogou-se nos braços de Michael com tanta força que o fez recuar um passo.

Michael a amparou no mesmo instante, envolvendo-a com firmeza, como se a abraçasse contra o próprio peito, contra a vida inteira que quase perdera.

Désirée chorava, os punhos fechados na camisa de Michael, enquanto ele apoiava o rosto nos cabelos dela, os olhos fechados, como quem encontra abrigo depois de vagar por desertos sem fim.

Joshua ficou paralisado.

Sentiu uma pontada aguda — crua, inesperada — crescer dentro de si.

Era como uma chama mordendo-lhe o peito.

Ciúmes.

Incontroláveis. Injustificados.

E, ainda assim, ali estavam eles, corroendo-lhe a razão.

Désirée parecia pertencer àquele abraço, como se uma parte dela também houvesse ficado suspensa no tempo, esperando o retorno de Michael.

Edward parou ao lado de Joshua, também sem palavras, respeitando o momento.

— Quem é ele? — murmurou Edward, perplexo.

— Michael. — respondeu Joshua, a voz baixa e áspera. — O irmão de Sophie.

Edward soltou um leve assobio, impressionado.

Joshua não respondeu.
Não confiava em si mesmo naquele instante.

Seu olhar permaneceu cravado na cena — e no modo como Désirée parecia ter se esquecido de todo o resto do mundo.

Um amargo pensamento insinuou-se em sua mente:

E se Michael fosse mais do que o passado?
E se ele também fosse o futuro dela?

Joshua cerrou os punhos discretamente.

Não permitiria que o medo falasse mais alto.
Mas também não podia negar:
uma guerra silenciosa começara dentro dele.

Uma guerra cujo nome era Désirée.

O Regresso Do Duque Histórias para pegar e não largar. Descubra agora