Porta Trancada

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As velas sobre a mesa de jantar lançavam uma luz suave e dourada que dançava pelas paredes, mas nem mesmo o calor daquelas chamas parecia capaz de aquecer Joshua. Sentado à cabeceira, ele observava a cena diante de si como um espectador desconectado: Liz e Sophie tagarelavam alegremente sobre flores e cavalos, Michael respondia com seu bom humor habitual, e Edward, com um sorriso de escárnio discreto, fazia comentários espirituosos que arrancavam risos das meninas.

Désirée, radiante em sua serenidade, participava das conversas, seu riso soando como música entre os demais — mas nunca para ele.
Ela o ignorava com uma maestria que parecia estudada, não dirigia a palavra, não buscava seu olhar. Era como se Joshua não passasse de um fantasma à mesa, um estranho indesejado.

Cada desvio, cada sorriso que ela oferecia a todos — menos a ele — era como uma punhalada silenciosa. Joshua apertou a taça de vinho entre os dedos, lutando contra o ímpeto brutal que se erguia dentro de si.
Desejava atravessar aquela distância artificial, tomá-la nos braços, colocá-la em seu colo e ensiná-la, com a palma da mão e com beijos cheios de saudade, que esposa alguma deveria ignorar seu marido daquele jeito.

A noite parecia se arrastar em uma tortura lenta. Quando o jantar finalmente chegou ao fim, Joshua serviu-se de um generoso copo de whisky e subiu as escadas em passos pesados. Parou diante da porta de ligação entre seus quartos. Tentou a maçaneta.

Trancada.

O metal frio parecia zombar dele.
Ele apoiou a testa contra a madeira e fechou os olhos, o copo de whisky ainda em mãos.
Deus, ele sentia falta dela.
Falta de ouvi-la chamar seu nome, falta do som rouco de seus gemidos no escuro, falta do cheiro adocicado de sua pele misturado ao suor, falta do calor de seu corpo entrelaçado ao dele.

Bebeu. Voltou para seu quarto.
Dormiu pouco e mal.

No dia seguinte, tudo recomeçou.

O jantar, a conversa leve, as risadas, as trocas de olhares — e Désirée, ignorando-o como se ele não estivesse ali.
Joshua respondia mecanicamente às palavras de Edward ou Michael, mas seus olhos voltavam, como ímãs, para ela. Cada sorriso que ela dava a outro homem parecia uma afronta. Cada vez que desviava o olhar dele, Joshua se sentia esmagado por uma angústia surda.

Outro copo de whisky.
Outra tentativa frustrada na porta trancada.

E assim os dias se arrastaram, cada um pesando sobre seus ombros como uma pedra a mais.

Se passaram três, quatro, cinco jantares assim.
Cinco noites diante da maldita porta fechada.
Cinco dias em que ele a desejava a ponto de doer, não apenas em seu corpo, mas em sua alma esfarrapada.
Ele não queria apenas possuí-la — queria ouvir sua voz de novo, ouvir seu riso para ele, sentir o calor daquelas mãos pequenas em seu peito, no seu rosto.

Queria tê-la de volta.
Inteira.

No oitavo dia, Joshua quase não suportava mais.

O jantar transcorreu da mesma forma: Liz contando alguma travessura, Sophie gargalhando alto, Edward provocando todos, Michael respondendo com ironia gentil — e Désirée... linda, inacessível, cruel sem sequer perceber.

Joshua mal conseguiu tocar sua comida.
O whisky queimou sua garganta com a violência de um soco, mas ele já não se importava.

Subiu novamente as escadas, tropeçando nos próprios pensamentos, e parou diante da porta de ligação. Sua mão pousou na maçaneta — e, desta vez, ela cedeu.

A porta estava destrancada.

Por um instante, Joshua ficou imóvel, o copo ainda em mãos, o coração batendo em um ritmo descompassado.
Ela tinha deixado a porta aberta.

A sensação que tomou seu peito não era ternura. Não era amor.
Era desejo.
Puro, bruto, arrebatador.

Desejo pelo toque daquela pele macia, pela curva dos lábios que o desafiavam, pelo calor que ele sabia que existia entre suas coxas.
Desejo de ouvir sua voz sussurrando em seu ouvido, de sentir suas unhas arranhando suas costas.
Desejo de tomá-la, dominá-la, até que esquecesse cada migalha de ressentimento que guardava no peito.

Ele sentia falta dela — mas não da mulher etérea e intocável que agora fingia que ele não existia.
Sentia falta da amante ardente que gemia seu nome no escuro, que se agarrava a ele como se o mundo fosse desabar.

Joshua apoiou a testa contra o batente da porta entreaberta, respirando com dificuldade.
A saudade era física. Quente. Cortante.

Era a falta do gosto dela, do cheiro adocicado de sua pele, da sensação de seus cabelos entre seus dedos, dos suspiros ofegantes que antes eram dele e agora pareciam tão distantes quanto o próprio céu.

Ela era sua tentação e sua ruína.

E, enfim, ele atravessou a soleira.

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