Abraço

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Desirée caminhava pelo jardim etéreo da mansão, quando avistou a figura de um homem. Ele parecia imerso em uma melancolia silenciosa. Não que ela fosse diferente; teve Joshua arrancado de seus braços e precisou sair para tentar apagar o incêndio que ardia em seu peito. A passos mais lentos, ela avançou, a distância ainda a impedindo de reconhecer de imediato a figura à sua frente. Ao se aproximar, percebeu que era Edward. Ele estava mais quieto, mais fechado. Completamente o oposto da pessoa alegre e radiante que sempre fora.

Ao perceber sua presença, Edward tentou disfarçar rapidamente, mas ela já o tinha visto. Na verdade, se fosse honesta consigo mesma, havia dias em que ela já notara que algo não estava bem. Algo o incomodava, embora ela não soubesse o quê. Sabia apenas que ele estava diferente. Mas temia perguntar, temia invadir o silêncio dele, já que o conheciam há pouco tempo. E ele não era apenas amigo de seu marido; era, talvez, seu melhor amigo. Apesar de todo o distanciamento, sentia por ele uma grande simpatia. Isso, talvez, fosse o suficiente para os tornar amigos.

Desirée parou diante de Edward, que, ao percebê-la, deu um pequeno sorriso sem brilho, mas que ainda assim carregava a familiaridade dos tempos em que a alegria o habitava com mais intensidade. Ela o cumprimentou com um gesto sutil da cabeça, e ele, de forma quase automática, respondeu com um aceno breve.

— Como está, Desirée? — A voz de Edward soou com uma ironia suave, mas sem malícia, como se ele tentasse se esconder por trás de um tom leve para mascarar a vulnerabilidade que agora parecia transparecer.
— Como tem sido os dias "apenas tolerando o duque de Falstron"?

Desirée respirou fundo, permitindo que o silêncio que os cercava se fizesse presente por um momento, antes de responder.

— Estamos tentando nos conhecer novamente... reaproximar... — Sua voz teve um leve tremor, como se a palavra tentando estivesse mais carregada de significado do que ela desejava admitir. Havia algo profundo e inexplorado ali, algo que ainda se estendia como um caminho distante e nebuloso.

Edward a observou atentamente, a expressão séria, mas os olhos ainda preservando aquela sombra de sarcasmo peculiar.

— Fico feliz em ouvir isso. — Ele disse, com um leve sorriso, mas seu tom revelava um fundo de algo não dito. Uma emoção que ele sabia não conseguir disfarçar por completo.

Desirée sentiu o peso daquilo, mas logo sentiu o impulso de retribuir a pergunta, como se seu próprio desconforto se tornasse mais tolerável ao repartir com ele um pouco da preocupação que ele transmitia, mesmo que de forma indireta.

— E você, Edward? — perguntou, seu olhar suavemente insistente. — Há algo o incomodado?

Ele hesitou por um momento, um ligeiro desconforto que passou por seus olhos antes de se abrir um pouco mais. Edward respirou profundamente, como se procurasse organizar os pensamentos antes de exprimir aquilo que parecia tanto uma dúvida quanto uma verdade que ele não queria carregar sozinho.

— É como se faltasse algo em mim. — Suas palavras saíram mais pesadas do que ele imaginava, e ela o observou como se tentasse encontrar a resposta que se escondia nas entrelinhas. — Não sei o que exatamente, mas sinto que há um pedaço de mim que... se perdeu. Voltei para a minha vida, para o que eu conhecia, mas é como se essa vida já não se encaixasse mais na pessoa que eu sou agora.

Desirée o olhou com mais atenção, percebendo que havia mais naquelas palavras do que ele estava disposto a compartilhar. Ele não falava apenas de uma mudança externa, mas de algo mais profundo, que tocava sua identidade de maneira silenciosa e dolorosa. Ela sentiu o peso daquelas palavras e, por um breve momento, desejou poder oferecer mais do que apenas o silêncio acolhedor que compartilhavam ali.

O Regresso Do Duque Onde histórias criam vida. Descubra agora