Désirée despertou na manhã seguinte com a estranha sensação de que havia cavalgado por horas a fio. Cada músculo doía com uma suavidade ardida, como se seu corpo guardasse a lembrança de algo intenso — embora ela sequer tivesse, de fato, se entregado a Joshua. Ao abrir os olhos, não fazia ideia do horário, mas pela luz que atravessava as cortinas indicava que já era tarde. Sentiu um alívio tímido ao perceber que Joshua não estava mais na cama.
Corou ao recordar o que ele fizera com ela na noite anterior. As mãos dele. A boca. O jeito como a explorou com paciência e fome, como se quisesse decifrá-la por inteiro. Fora tocada, conhecida, levada ao limite — e ainda assim, não houve posse. Não do modo mais óbvio.
Ela se encolheu sob os lençóis, apertando as coxas, tomada por uma mistura de vergonha e fascínio. Não sabia como seria capaz de encará-lo novamente.
— Meu Deus… não sei se posso — murmurou ela, com a voz embargada, sentindo o calor da vergonha queimar-lhe as faces. Ainda assim, sabia que não poderia se esconder para sempre. Com um suspiro resignado, levantou-se da cama e começou a se vestir com gestos lentos, quase inseguros.
Ao sair do quarto, os pensamentos rodopiavam em sua mente. Seria possível que alguém soubesse? Aquilo a inquietava. Talvez fosse apenas a culpa lhe pregando peças. Mas, afinal, que mulher, em plena sanidade, sentiria culpa por ter se entregado — ainda que em parte — ao próprio marido?
Enquanto caminhava pelos corredores silenciosos, a caminho da sala onde tomaria o desjejum, ouviu alguém chamá-la pelo nome.
— Day.
Ao virar-se, viu Michael. O jovem parecia brilhar, e, sem perceber, Désirée sorriu. Michael também sorriu, lançando um dos braços por cima dos ombros da duquesa.
— Vossa Graça, costuma acordar tão tarde? — provocou ele.
Ela adorava ver que os dias em família estavam, pouco a pouco, trazendo de volta o antigo Michael brincalhão. Mal podia esperar para tê-lo completamente recuperado.
Quanta falta ele lhe fizera!
— Noite difícil — respondeu, evasiva.
Não queria entrar em detalhes, então voltou a atenção para ele, tornando-o o novo alvo da conversa.
— E, se não me engano, você também está acordando agora — disse ela, com um meio sorriso.
Michael começou a andar, ainda com o braço repousado sobre os ombros dela, num gesto despreocupado.
— Noite difícil — comentou ele, sem se dar ao trabalho de explicar o motivo de acordar tão tarde. E tampouco precisava.
Ambos seguiram em silêncio pelo corredor, rumo à sala.
Estar com Michael de volta em casa era como ter, enfim, a família completa novamente — embora agora, de um jeito diferente. Joshua também estava lá. E pensar que, talvez, pudessem construir algo próximo do que ela sempre sonhou… parecia quase perfeito demais.
Como ela desejava que Joshua compreendesse, quando ela, enfim, lhe revelasse toda a verdade. Talvez aquilo destruísse a frágil paz que estavam tentando construir. Mas depois da noite anterior, Désirée tinha certeza de que Joshua merecia saber. E em breve, ela teria forças para contar tudo.
Quando entraram na sala, ainda trocando farpas entre risos, se depararam com Sophie e o duque. Joshua olhou para a esposa, e ela imediatamente corou, sentindo as bochechas esquentarem. Os homens se cumprimentaram, e Sophie, com um sorriso contido, como sempre, após comprimentar amavelmente a duquesa e o irmão Michael, pediu licença e saiu discretamente.
A temperatura da sala pareceu subir alguns graus. Michael trocou algumas palavras cordiais com Joshua, pegou uma maçã da fruteira e comentou, mordendo-a com leveza:
— Não costumo sentir muita fome pela manhã. Se me dão licença...— E saiu, deixando Désirée e Joshua sozinhos.
O duque se aproximou devagar da esposa, puxando-a com suavidade para mais perto, conduzindo Desirée até ele.
— Você é sempre muito cheirosa — ele disse, e Désirée teve um leve sobressalto ao sentir a língua do marido roçar a pele sensível de seu pescoço.
Aquilo a atingiu em cheio no baixo ventre, e um gemido suave escapou de seus lábios, fazendo Joshua se lembrar dos sons que ela havia deixado escapar na noite anterior.
— Não me agrada ver outro homem tão próximo da minha mulher — murmurou ele.
A ideia de pertencer a alguém sempre lhe parecera sufocante. Mas, quando a possessividade vinha de Joshua, não era tão ruim. Era... excitante.
Joshua tomou sua mão e a conduziu consigo.
— Onde estamos indo? — ela perguntou, já sentindo o ar da manhã tocar seu rosto enquanto saíam da casa.
— Pensei em tomarmos o café juntos.
Désirée se deixou guiar por ele, pensando em como aquele homem, que por tanto tempo lhe parecera tão distante e frio, começava a se parecer novamente com o jovem que ela teve nos braços na noite de núpcias.
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O Regresso Do Duque
RomanceLIVRO I (Série Return) Lorde Joshua Falstron sempre foi o preferido de seu pai, algo que se tornou um grande fardo para ele. Sua vida foi marcada pela falta de respeito às suas escolhas, com decisões sendo tomadas por outros. Até que um dia ele deci...
