De volta ao lar II

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Joshua permaneceu parado, como se temesse quebrar a cena diante de seus olhos.
Havia algo sagrado naquele reencontro — algo que nem mesmo o tempo, ou a distância, conseguira apagar.

Sophie ainda soluçava, sem conseguir articular palavras.
Michael, por sua vez, parecia perdido entre a confusão da mente e o instinto do coração.
Seu corpo lembrava do que sua memória ainda não alcançava:
ele pertencia àquela casa. Àquelas pessoas.

O som de passos apressados ecoou pelo corredor.
Liz surgiu na curva da escada, as saias alçando-se em volta dela como asas agitadas.

— O que está acontecendo? Eu ouvi...

Sua voz se perdeu no instante em que seus olhos pousaram sobre Michael.

Por um longo momento, o tempo parou.

Liz levou a mão à boca, os olhos marejando tão rápido que Joshua sentiu o impacto no próprio peito.
Ela desceu os últimos degraus sem sentir os pés, atravessou o corredor como se fosse puxada por um ímã invisível.

Sophie afastou-se apenas o suficiente para dar espaço.
Michael ficou imóvel, confuso, enquanto Liz, trêmula, tocava-lhe o rosto com as duas mãos, como quem certifica um milagre.

— Michael... meu Deus...

A voz dela quebrou em mil pedaços, e então foi a vez de Liz envolver Michael num abraço apertado, desesperado, repleto dos dias em que acreditara tê-lo perdido para sempre.

Joshua desviou o olhar, sentindo que aquele momento não lhe pertencia.
Mas não foi embora.

Permaneceu ali, testemunha silenciosa de um amor que sobrevivia até mesmo ao esquecimento.

Pouco a pouco, outros rostos apareceram.
Sussurros espalharam-se como fumaça: Ivy, atraída pelo barulho; Alec, de olhos arregalados, segurando a mão da irmã.
Os criados, hesitantes, pararam à distância, murmurando entre si.

O reencontro de Michael era como uma pedra lançada num lago tranquilo, provocando ondas que alcançariam todos, cedo ou tarde.

Quando Liz finalmente se afastou um pouco, limpando o rosto com a barra da saia, Michael passou os olhos pelo grupo reunido.
Seu olhar deteve-se em Alec e Ivy, e uma sombra de reconhecimento — frágil, mas verdadeira — cruzou-lhe a expressão.

Joshua sentiu a garganta apertar.

Mesmo sem memórias, Michael sabia.

Sabia que aquelas crianças pertenciam a ele de algum modo.

— Eu... Não lembro...— Michael tentou falar, mas a voz falhou.

— Está tudo bem — sussurrou Liz, segurando-lhe a mão. — Você está em casa.

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