Piano.

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ANGEL

Acordei com o olhar pesando novamente, mas só minha vinha a imagem dele na minha cabeça. Como do nada assim eu tinha visto meu pai? Não me lembro de ter tomado algo batizado ou de ter um tino pra mediunidade.

Virei a cabeça para lado e pude ver meu irmão dormindo na cadeira, ele estava babando tanto que a camisa dele estava um rio. Não queria assusta-lo mas eu estava com sede, e precisava de água.

Comecei a me mexer para levantar, mas acabei derrubando o controle da cama, Topper deu um pulo de susto e eu me segurei pra não rir, não deu certo.

—Você precisava ficar deitada.—Topper falou me empurrando de volta pra cama.

—Eu estou com sede.—Falei para o mesmo que levantou indo em direção a porta.

—O que quer?

—Gin e tônica.—Falei e Topper virou os olhos.

—Engraçadinha, vou buscar uma água.—Vi o mesmo sair do quarto e agora eu estava sozinha aqui de novo, me recordo da minha mãe estar aqui na última vez que abri os olhos, mas sla.

Fiquei encarando o painel e pude ver o mesmo levando vários fios até o meu corpo, eu odiava esses lances de hospital, não me traziam boas memórias e sempre doíam na hora de tirar.

—Nunca vi você tão branca.—Olhei para frente e pude ver Rafe encostado na porta. O mesmo veio na minha direção, encostando seu rosto no meu.—Você me assustou.

—Não foi minha intenção.—Falei, e o mesmo me deu um beijinho na testa. Ele se sentou na cadeira ao meu lado, e pegou na minha mão.—Não vejo a hora de sair daqui, até a água tem gosto ruim.

—Você bebeu quase o mar inteiro e tá reclamando de água mineral?—Rafe disse rindo.—Deixa de frescura.

—Vou te expulsar daqui hein.—Falei dando um tapinha em sua mão, Rafe agora me olhava fixamente com um meio sorriso, ele respirava calmo, como se estivesse aliviado.

Me lembrei de algo, da uma última música em que meu pai trabalhava no piano, eu precisava terminá-la, e voltar a tocar. Suspirei olhando para o teto.

—O que está pensando?—Rafe disse me fazendo olhar para ele de novo. Normalmente eu não abria sobre isso, sobre o meu pai nem mesmo pra Topper, mas de uma estranha forma me sinto segura com Rafe.

—Quando eu estava na água, pude sentir as ondas soprarem no meu ouvido...

—Você estava se afogando, entrou agua por toda parte né.—Rafe disse me interrompendo.

—Não é isso, era como uma melodia eu pude ouvi-la, junto com a sua voz, eu era como um dedo batendo nas teclas do piano, as ondas eram as teclas...—Falei respirando fundo e pude ver Rafe me olhar assustado.—Eu não tô louca, só preciso terminar uma música agora.

—Achei que não escrevia sobre coisas felizes.

—Isso não é feliz, me traz mais medo do que felicidade.—Falei me levantando, comecei a puxar aqueles fios no meu corpo.—Ai que dor, merda colenta.

—Você não pode sair Angel.—Rafe disse colocando a mão sobre meus ombros, eu estava sentada na cama.—Ficou doida? Precisa descansar.

—Eu tô a 2 dias descansando, chega dessas paredes.—Falei empurrando o mesmo, sai rápido da cama indo em direção a porta.

—Você não vai me obrigar a correr atrás de você né?—Rafe disse passando a língua nos lábios com as mãos na cintura, ele me olhava sem acreditar que eu queria sair por aí. Bom, ele não me prenderia aqui.

I hate u, I love you • Rafe Cameron Histórias para pegar e não largar. Descubra agora