Mar morto.

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Fiquei ali por alguns segundos, sustentando a cabeça de Rafe até Kelce vir pega-lo. Estávamos levando ele até o meu carro e a cada segundo ele sussurrava coisas estranhas.

Ao chegar coloquei o mesmo no banco de trás, ele agarrou minha mão.

—Angel, não me deixa sozinho por favor.—Rafe disse com a voz enrolada e eu joguei as chaves para Kelce.

—Vamos levar ele pra casa dele.—Falei para Kelce que ao entrar no carro, deu partida imediatamente.

Eu estava ali no banco de trás com o garoto que tinha me humilhado de todas as formas possíveis e por mais que eu tentasse, por mais que eu quisesse...eu não conseguiria odia-lo.

Ele tinha um olhar sereno agora, seu corpo estava relaxado no banco e eu acariciava sua cabeça por cima das minhas pernas. O que você fez comigo Cameron?

—Chegamos.—Kelce disse e eu fiz sinal para ele me ajudar com Rafe.

—Abre a porta de fininho tá.—Disse para Kelce que se atrapalhou todo mas conseguiu. Não parecia ter ninguém no andar inferior, isso era ótimo. Rafe iria apanhar de Ward se o mesmo visse ele nesse estado, talvez ele merecesse, mas eu não podia deixar.

Subimos as escadas e ao chegar no quarto de Rafe, jogamos o mesmo na cama. O peso de seu corpo agora tinha ido embora e eu pude sentir minhas costas estalarem. Me sentei ali mesmo, precisava descansar as pernas.

Depois de uns minutos respirando olhei para Rafe jogado do meu lado, ele parecia um trapo. Resolvi me levantar e fui me arrastando de fininho até sair da cama, ainda tava meio sem força. Meu braço foi puxado.

—Fica aq....—Pude ouvir sua voz rouca e enrolada dizer. Respirei fundo, ele merecia ficar sozinho e eu já tinha feito demais.

Repousei sua mão com cuidado na cama e me abaixei dando um beijo no seu rosto, era o máximo que eu podia fazer, e não era por ele e sim por mim, pelo meu coração que ainda estava apaixonado por Rafe Cameron.

Fui em silêncio até a porta e sai do quarto, desci rápido até o meu carro, peguei as chaves com Kelce e entrei. Eu segurei no volante e engatei a chave, mas minhas mãos tremiam, e uma vontade imensa de chorar me veio.

Eu senti o desgaste com Rafe ser forte, na mesma intensidade da minha paixão por ele. Que droga Angel. Suspirei passando as mãos no rosto, e liguei o carro, agora estava mais calma e consegui sair dali.

Não demorei até chegar em casa, coloquei o carro dentro da garagem e entrei. A casa estava toda apagada, subi as escadas e pude ver uma luz debaixo da porta de Topper. Ao abrir a porta vi o mesmo assistindo tv.

—Oi.—Falei baixinho.

—Oi, voltou cedo.—Topper disse olhando o relógio em seu braço.—Tava tão ruim assim?

—Eu não tava muito afim, te disse.—Falei indo até a cama do mesmo, me deitei do seu lado.—Posso ficar aqui hoje?

—Claro que pode.—Topper disse dando um beijinho na minha testa, ele colocou o braço por baixo da minha cabeça e eu fiquei ali, encolhida em seu abraço.

—Tá assistindo meu filme favorito?—Disse para o mesmo que sorriu.

—Eu lembro de quando aprendemos essa coreografia.—Topper disse se referindo a coreografia de Dirty Dancing.—A gente era bem habilidoso pra apenas duas crianças.

—Concordo, mas você só aprendeu porque eu perturbei muito.—Disse e meu irmão deu uma gargalhada.

—Acho que eu gostava um pouquinho.—Topper disse rindo, em seguida nos veio o silêncio.

I hate u, I love you • Rafe Cameron Histórias para pegar e não largar. Descubra agora