Rafe e Angel se conhecem desde a infância, mas o que a Angel não sabe é que Rafe a conhece um pouco mais. Amor platônico, enemies to lovers, caça ou ouro. E também momentos de afiliação e relaxamento te esperam nesse livro.
Em meio a novas amizades...
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ANGEL
Estava sentada na sala dos professores. Era a primeira vez que eu usava essa sala e até que dava pro gasto. Era levemente espaçosa, tinha um sofá grande, uma mesa arredondada com cadeiras coloridas e uma área de cozinha.
Estava sentada na mesa, comendo minha fruta enquanto tentava escrever algo no meu bloquinho. Não estava sendo fácil a montagem desse quase álbum, eu não tinha tempo e quando tinha me faltava criatividade. Sei que Sun era uma boa inspiração, mas haviam coisas e peças que criei no piano que simplesmente não combinavam com as músicas felizes que eu escrevia sobre ele.
Eu estava atada ao seguinte verso pelo simples fato dele ter ficado muito bom, mas ao mesmo tempo dizer muito sobre mim. Quer dizer, apenas os mais próximos saberiam e talvez ele um dia pudesse ouvir tocando na rádio e se tocar.
Não Angel. Você está recheando a sua música de "se". Não se sabe se ela vai estourar. Se as pessoas vão gostar. Se vão associar. E se ele vai associar. Você nem sequer sabe onde ele está.
— Quer café? Oi?
— Foi mal, eu estava super distraída — Olhei para cima depois de perceber que alguém me chamava. Era Steve — Me desculpe o que você falou?
— Perguntei se você quer café? — Ele disse com um sorriso, enquanto segurava a garrafa.
— Não. Obrigada. — Respondi rapidamente, voltando a olhar pro bloquinho.
Steve era instrutor de ginástica aqui. Ele dava as aulas de educação física. Eu sempre via ele correndo pelo campo quando eu chegava para trabalhar. Trocamos alguns acenos, mas nunca havíamos nos falado antes.
— Trabalhando no que? — Ele perguntou, olhei de soslaio vendo ele se aproximar e sentar na mesa.
— Uma espécie de album e até agora não tenho nada — Falei deixando toda minha frustração sair junto.
— Uma artista entre nós, isso é bom — Steve disse com entusiasmo, ele sorriu levando a xícara aos lábios.
— Uma pianista amadora fica melhor — Falei o corrigindo. Eu não era nada ainda.
— Posso? — Ele colocou a xícara na mesa, estendendo a mão para o meu bloquinho. Fiquei relutante por um segundo, mas que mal faria uma opinião imparcial que nada sabia sobre a minha vida.
— Vai em frente. — Falei entregando o bloquinho.
— "Se ele é um assassino em série, então o que de pior. Que pode acontecer a uma garota que já está machucada? Eu já estou machucada" — Ele tinha que ler em voz alto? Soou mais ridículo assim — Uau, profundo — Ele limpou a garganta — Você está machucada?