RAFE
Pela primeira vez em todo esse tempo, fui dormir sóbrio. Não tive medo dos pesadelos, aquilo na casa de Topper já tinha sido suficiente. Estava com Kate entrelaçada no meu corpo, o estranho é que dessa vez eu não tentava me desvencilhar dela, parece que eu tinha uma dívida com ela e pagaria.
Me virei devagar e ela estava dormindo tranquilamente. E ali a encarando pensei, eu poderia me acostumar com a ideia de tê-la por perto afinal, acho que o único amor que dura é o incorrespondido, e com Kate, eu acredito que posso tentar.
—O que tá olhando?—Ela acordou.
—Nada, só tô pensando.—Não achei que estivesse encarando mas disfarcei.
—Quer me contar?—Disse, se aproximando.
Pensei. Eu não tinha muito o que dizer, e nem ao menos conseguia ter coragem de conversar qualquer coisa que fosse com ela. Com Angel isso fluía facilmente. Me repreendi mentalmente, eu precisava parar de compará-las se quisesse que isso desse certo.
Eu iria pra Nassau no final da tarde, não tinha muito com Kate mas decidi que quero passar o tempo do dia que resta com ela, acho que é o mínimo depois de ontem.
—Não. Era uma coisa boba. Vamos sair hoje?—Os olhos dela se acenderam com a minha pergunta.
—E a sua viagem?
—É só no fim da tarde, não se preocupe.—Disse, e ela saltou da cama animada.
—Preciso de um banho.—Se espreguiçou.
—Você é linda mas maquiagem borrada não é o seu forte.—Dei uma piscadinha e ela foi em direção ao banheiro.
A noite tinha sido tranquila. No mais ficamos agarrados sentindo ao máximo a nossa solitude e vazio. Parece que no meio disso, conseguimos nos preencher.
Kate me chamou umas duas vezes para me juntar a ela no banho mas não tive vontade. Eu não tinha vontade de nada. Senti ela meio frustrada quando saiu mas mesmo assim parecia animada com o dia que eu prometi.
A água caindo sob o machucado na minha perna fazia a dor mental ficar ainda pior. Kate implorou no caminho de volta para que fôssemos no hospital, mas eu não quis. Acho que é melhor viver com essa memória, pelo menos eu a vi. Estava viva e bem. Isso bastava e a cicatriz iria me fazer lembrar. Terminei o banho.
—Pensei em irmos no Gusto, o que acha?—Eu sabia que aquele era seu restaurante favorito, por mais que eu odiasse comida italiana, queria agradar. Sla, eu sou do mar, cresci em Outerbanks, para mim só existe peixe e olhe lá.
—Eu iria adorar.—Ela veio em minha direção entrelaçando os braços ao redor do meu pescoço. Permaneci parado. Até receber seus lábios juntos do meus. Fechei os olhos e tentei me concentrar naquilo.
Pela primeira vez Kate me beijava de uma forma calma, uma forma em que ela parecia uma pessoa normal que não queria me comer vivo ou arrancar meus lábios. Me senti bem e retribui. Segurando sua cintura da forma mais gentil que desse. Não queria machucá-la de novo.
Ela separou nossos lábios e eu senti falta, da incansável e deliciosa sensação de não querer parar, de perder o fôlego e continuar. Eu estou tentando Kate. Realmente estou. Mas é difícil como em cada mínimo detalhe nosso, eu sinta um turbilhão dela. De nós.
VOCÊ ESTÁ LENDO
I hate u, I love you • Rafe Cameron
FanfictionRafe e Angel se conhecem desde a infância, mas o que a Angel não sabe é que Rafe a conhece um pouco mais. Amor platônico, enemies to lovers, caça ou ouro. E também momentos de afiliação e relaxamento te esperam nesse livro. Em meio a novas amizades...
