Rafe e Angel se conhecem desde a infância, mas o que a Angel não sabe é que Rafe a conhece um pouco mais. Amor platônico, enemies to lovers, caça ou ouro. E também momentos de afiliação e relaxamento te esperam nesse livro.
Em meio a novas amizades...
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RAFE
Ainda estava encarando a garagem de Sofia quando ouvi a maldita voz me atormentar.
Acha que ela melhorou você? Acha que te ajudou?
Sabe que precisa de mim. Do contrário estaria morto, lembra quando eu fiz você tentar?
Teria poupado o sofrimento da sua existência que de nada serve.
Isso não é pra gente. Você seria um fraco se cedesse, se achasse que pode. Ninguém pode.
Fraco. Fraco.
— ME DEIXA EM PAZ! — Eu precisava sair daqui. Precisava respirar.
(...)
Estava no barco. Sentindo a correnteza balançá-lo levemente, sentindo o sol esquentar meu rosto de uma forma tão gentil e confortável. Tudo estava sereno, não podia ver, nem ouvir ninguém por perto, tudo que saia e se misturava com o som da serenidade era a minha respiração.
E pensar que eu tinha saído de casa a noite por isso, respirar, e eu não desejava voltar.
La tudo era barulhento demais. Whezzie era barulhenta demais com sua inquietude, bagunças e questionamentos. Rowan era barulhento, burocrático e por sua vez, também vivia a me questionar.
Aqui estava calmo. Eu não podia ouvir a voz da minha mente, que me cansa, me desespera e me faz esperar.
Eu jamais admitiria o quão certos eles estavam. Eu jamais poderia amar alguém como amei Angel, eu jamais poderia desejar uma vida com alguém, como eu desejo com ela. Mas eu nunca, nem por um segundo de meus dias, desejei ter uma família.
Isso não era pra mim. Não era pra mim desde o dia em que minha mãe se foi, e levou tudo com ela. A grama verde e macia em que eu corri com ela, durante todos esses anos enquanto brincávamos pelo quintal, havia se tornado uma terra arrasada, infértil, sem qualquer sinal de vida.
A casa que antes continha um pedaço do mundo dentro dela, com suas pinturas enigmáticas que só eu sabia decifrar, tinha se tornado um mausoléu de lamentações. A música alegre, que costumava encantar não só as almas vibrantes da casa, mas a todos que circulavam nas ruas, os animais que ficavam em nossas árvores, agora apenas serviam para espanto, os gritos abafados de tapas, chutes, lamentações haviam espantado qualquer vida que ainda lutava pra permanecer ali.
O monstro que sempre se portou como monstro, havia piorado, agora solto de suas amarras, ele aproveitava para queimar o restante do mundo que havia ali. Aproveitava para abafar os gritos, camuflar os horrores, negligenciar a ajuda e demandar a fidelidade mesmo que não fosse digno dela.