Estava satisfeita com o sabor dos alimentos que degustava, mas o gosto intenso da desconfiança era mais forte. Estar interagindo com meu marido depois de tantos dias afastados me causava uma estranheza. Mas talvez ele realmente estivesse tentando se redimir pelos dias que se manteve "ocupado demais" e não encontrava tempo sequer para me beijar no rosto.
O convite para jantar foi tentador, levando em conta que era uma das coisas que eu mais gostava de fazer com ele. E agora, frente a frente, bebíamos vinho em silêncio. Atmosfera de dois desconhecidos em um primeiro encontro, mas sem espaço para a parte da emoção avassaladora da paixão.
Um corpo magro e mediano se posicionou ao lado da nossa mesa. Calafrio, foi o que senti atravessar meu corpo ao ouvir aquela voz, ergui a cabeça e me deparei com ela, com certeza o sonho de muitos homens, entretanto meu maior pesadelo.
Não que eu estivesse convicta da ameaça que ela poderia representar, mas eu não seria a única mulher que se sentiria ameaçada por ter seu marido se encontrando diariamente com alguém como ela, ainda mais reconhecendo as condições do próprio casamento, a frieza com a qual ele estava sendo conduzido.
— Boa noite Srt. Davis. — A voz do homem transmitia empolgação e surpresa.
Ele se levantou e a cumprimentou, estendeu a outra mão para mim, me incentivando a levantar e cumprimenta-la também. Entreguei um sorriso simples, não costumo esbanjar simpatia com quem não mantenho profunda relação. Ou talvez eu simplesmente não consiga fingir quando estou desconfortável.
Principalmente quando se trata dela, que esbanja toda sua educação na presença dele, mas conheço muito bem seus olhares falsos. Então, recebi um beijo no rosto, por não esperar, permaneci estática.
— Quanto tempo, faz meses que não vai a empresa. Mas pelo que vejo estão indo bem, jantar romântico é sinal de que ainda apreciam a companhia um do outro. — Consigo perceber seu deboche em cada palavra. — Poderíamos sair juntos qualquer dia, posso convidar um amigo para não me sentir tão desacompanhada.
Desejei falar que quanto a isso ela não precisaria se preocupar, já que o clima entre o meu marido e eu não faria nenhum solteiro se sentir tedioso.
— Ela não costuma ir a empresa, porque segundo ela, não gosta de me atrapalhar, mas a convidei para jantar porque sei o quanto lugares assim lhe agrada. — Ele disse me olhando, e sorriu, repeti o ato. Uma farsa, um teatro.
— Se gosta de lugares assim, devo dizer que arranjou realmente uma mulher a sua altura, Kim, significa muito bom gosto. — Ela estava olhando para mim, mas finalizou a fala olhando para ele, jogando com um sorriso. A bajulação só me chateava ainda mais.
— Obrigada. — Não que eu estivesse realmente grata, mas prefiro manter o controle da situação.
O homem apenas deu uma risada leve, porém audível e confirmou com a cabeça, a loira disse que alguém a aguardava e se retirou, mas antes novamente se aproximou, me deu um abraço frouxo, passou levemente os dedos no peito do meu marido e saiu acenando para nós, restou sua energia de quem não veio com intenções de semear paz.
— Ela está fazendo um ótimo trabalho na empresa, é capacitada para o cargo como ninguém. — Comentou Kim, voltando a se sentar.
— Tenho certeza que sim. — Respondo ainda de costas, me viro lentamente para ele, absorvendo tudo que acabara de acontecer, aos poucos fui me acomodando na cadeira de novo.
Seguimos com nosso jantar, por vez trocávamos algumas palavras, as vezes ele me elogiava, as vezes sorriamos de algum comentário do outro, porém ainda assim, nada como antes, ainda me reprimo, mas não queria aumentar o muro que se formava, apesar de tudo, somos casados e querendo ou não, há de existir uma chama de sentimento, atração ou paixão acesa.
Um tempo se passou e ele saiu me confirmando de que iria ao banheiro, ao observar o ambiente por um tempo, vi que a sua colega de trabalho seguiu pelo mesmo caminho, permaneci sentada, porém bastante inquieta, minhas mãos transpiravam e minhas pernas balançavam freneticamente.
Tive medo de ir atrás do que é meu, e mais medo de confirmar que havia sido arrancado de mim e que já não me pertencia mais a um bom tempo.
Não muito tarde o vi, caminhando em direção a mesa, ajeitando o cabelo e a camisa social branca, parou em frente ao espelho que havia no centro do restaurante, analisando suas feições.
Eu estremeci, deslisei meus dedos pela taça e devolvi a mesa, segurei minha bolsa ainda com o olhar fixo nos movimentos do homem que de longe emanava luxúria. Imediatamente deixei o local.
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MAGNETISM. jjk
Fiksi PenggemarCorrentes elétricas em nosso sangue, física em cada parte de nós, magnetismo nos seus toques e no meu arreceio de amá-lo. Uniões decadentes faz com que vidas opostas sejam traçadas, batalhas entre amor, traição e miséria sejam travadas, findam coisa...
