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Bruno

Dou risada do rosto de Emma coberto por tinta guache vermelha e ela se aproxima para fazer o mesmo comigo. A escolinha da Alicia passou uma atividade com tinta guache e pediu para os pais auxiliarem, dando total liberdade para eles se expressarem e descobrirem novas cores e texturas.

Faço um coração na bochecha da pequena que corre para a frente do espelho e da risada.

_ Meu Deus, eu tô com tinta por todo o meu corpo.

_ Nem me fala, gravata e paletó já estão sujos há muito tempo.

_ Quer tomar um banho? - olho para ela sugestivo e ela empurra meu ombro rindo.

_ Eu não quis dizer isso!

_ Eu não disse nada! - me defendo e ela se levanta do tapete.

_ Pode olhar ela pra mim? Vê se ela quer um pouco da salada de frutas que comprei hoje cedo.

_ Pode deixar. - ela se abaixa me dando um selinho e vai em direção ao quarto.

Vejo Alicia passando suas mãos pelo espelho, contornando seu rosto e rindo sozinha. Vou até a geladeira pegando a salada e coloco um pouco no pote de plástico separado para ela, pegando sua colher e colocando um pouco para mim também.

_ Está com fome princesa? - pergunto me sentando no tapete novamente e ela caminha até mim.

_ Dilícia!

_ É, tá uma delícia mesmo. Prova. - coloco um pouco na sua colher e ela pede para segurá-la.

Alicia faz uma careta ao provar um pedaço do abacaxi e senta do meu lado pedindo por mais. Coloco o pote entre as suas pernas e ela começa a comer sozinha, derrubando um pouco no chão e pedindo um pano para limpar.

_ A gente limpa depois, pode comer agora.

Emma aparece na sala quando estamos quase terminando e prova um pouco da colher de Alicia que oferece um pedaço de kiwi.

_ Ela comeu bastante?

_ Sim, parece ter gostado.

_ O que quer jantar hoje? - pergunta fazendo massagem nos meus ombros e começo a relaxar.

_ O que acha de costelas de porco com molho barbecue?

_ Parece ótimo. Tem todos os ingredientes aí?

_ Não sei, mas posso sair para comprar.

_ Toma um banho primeiro, depois resolvemos.

_ Ok. - beijo o dorso da sua mão e logo ouvimos o grito de Alicia.

_ Impar! Impar! - grita parecendo incomodada com a sujeira a sua volta e Emma se levanta para buscar um pano.

_ Pronto filha, pode limpar.

_ Vou deixar a banheira dela preparada depois que eu terminar meu banho. - aviso e ela confirma com a cabeça.

Retiro minhas roupas ao entrar no banheiro e começo a esfregar meu corpo na tentativa de tirar toda essa tinta dele.

Paro para pensar na tarde que nós três tivemos juntos e me sinto feliz ao perceber que estamos agindo e sendo uma família.
Elas são a minha família agora e sei que faria de tudo por elas.

Yuna

_ E se eles não gostarem de mim, Yuna? Você teve mais tempo com eles, é claro que gostam mais de você.

_ Ei. - chama minha atenção ao segurar meu rosto e olho para ela. _ Eles vão adorar você, tenho certeza.

Trouxe Gabriel para conhecer Heitor e Helena, já que os mesmos estão super curiosos sobre quem é meu noivo jogador de futebol. Marcamos uma visita no orfanato e sei que Gabriel entende meus reais motivos ao trazê-lo aqui, e sei que estaremos pensando a mesma coisa se tudo ocorrer bem no fim do dia.

A diretora nos avisa que as crianças já estão a caminho e me sinto ansiosa. Espero que ele se encante pelos dois da mesma forma que me encantei ao vê-los pela primeira vez.

As crianças entram na sala e Heitor vem correndo me abraçar, logo Helena faz o mesmo do seu modo mais tímido. Eles olham para Gabriel e logo o menor arregala os olhos suspreso.

_ Você apareceu na TV!

Dou risada da sua empolgação e Gabriel sorri.

_ Sim, eu apareci algumas vezes já.

_ Autografa minha camisa?

_ Acho que você não pode manchar seu uniforme, que tal numa folha ou podemos tirar uma foto? - tenta negociar e o garoto concorda rapidamente.

Helena vem até mim segurando sua presilha e fico contente de já conseguir entender o que ela quer somente com pequenos gestos. Começo a trançar seus cabelos como faço todos os dias no início das aulas, uma rotina que criamos e isso nos aproximou ainda mais.

Heitor tira diversas fotos no celular e corre até nós quando abro a cesta de piquenique que preparei.

_ O clima está certo, mas o lugar não. Piquenique não é ao ar livre? - pergunta e Gabriel e eu nos entreolhamos.

_ O importante é a companhia, Heitor.

_ Você gosta da companhia irmã? - a pequena acena calmamente. _ Eu também gosto.

Passamos o resto da tarde com eles brincando de jogo da memória e me surpreendi quando Helena tomou a iniciativa de se despedir do Gabriel com um abraço.

_ Acho que gostaram de você. A Helena é reservada assim mesmo, então abraçá-lo foi com certeza seu maior esforço do dia. Já Heitor, bom, você o ganhou na parte do futebol. - comento enquanto saímos da casa de mãos dadas.

_ Gosta deles?

_ Sim! Eu am... - paro de falar quando percebo o que estava prestes a dizer.

_ Pode me falar o que quer, Yuna. - acaricia minha mão entrelaçada na sua e sorrio ao olhar em seus olhos.

_ Eu quero que eles sejam os nossos filhos, oppa. Sei que ainda nem nos casamos e pode parecer cedo pra você, mas...

_ Vamos fazer isso.

_ O quê? - pergunto querendo confirmar se não ouvi errado.

_ Vamos adotá-los, Yuna. Podemos fazer isso.

Pulo para abraçá-lo e ele segura firme minha cintura me girando. Meus olhos enchem de lágrimas e acaricio seu rosto.

_ Nós podemos fazer isso. - reafirmo o que ele disse há pouco e beijo sua boca em seguida.

[...]

Helena e Heitor, 7 anos

Helena e Heitor, 7 anos

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