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Capítulo 10 - Enrico

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Depois de nosso banho, resolvi mostrar seu presente de aniversário. Mas antes íamos almoçar.

- Olá, senhor Enrico. - Ruth, minha empregada colocava a mesa do almoço para nós e pude finalmente conferir como ela era eficiente. A casa estava limpíssima e o cheiro daquela comida era delicioso. Eu pouco havia desfrutado de tudo o que ela havia feito em meu antigo apartamento, pois nunca estava por lá.

- Olá Ruth. O cheiro está divino, o que tem aí? - Aylla perguntou, quando a sentei numa cadeira.

- Fiz um frango caipira no forno, um arroz com milho e salada de rúcula com tomatinho cereja e cebola. Também fiz uma polenta com ragu de linguiça. Estou seguindo o mesmo cardápio que o senhor Enrico havia me passado. Espero que não se importe, Aylla.

- De forma alguma. Precisamos só nos acertar depois. Vou te passar tudo o que gosto. Mas eu como de tudo. E pelo visto vou virar uma obesa com toda essa comida.

- Você é mulher de um homem da roça, não se esqueça. Vai se acostumar com toda essa "sustança". Nada de hamburguer e batata frita. Temos que te manter bem alimentada.

- Eu diria que você quer me engordar para o abate. Mas eu aceito. Ruth, minha mãe é um pouco invasiva as vezes e ela chega chegando. Então quando ela estiver aqui. Você pode esquecer a cozinha, está bem? Ela faz questão de preparar os pratos turcos que eu gosto e não tenho coragem de falar para ela não fazer.

- Eu conheço sua mãe, Aylla. Estive com ela depois que o senhor Enrico me contratou para ficar aqui e ela me ensinou algumas coisas. Já sei fazer manti, sarma e... Como se chama aquela sobremesa feita de arroz é...

- Sütlaç. Eu amo. É a sobremesa favorita do meu... Deixa para lá. Obrigada por todo esse cuidado.

- Ela é ótima, não é? - disse a Aylla, ainda mordendo uma coxa de frango.

- Se é. Nunca mais vou te devolver.

- Não precisa. Afinal vamos nos casar mesmo.

- Ainda não dei minha resposta.

- Mas depois de comer a comida dela, não terei dúvida que sua resposta será sim.

- Veremos.

Terminamos de comer e a levei para dar uma volta. Chegamos até o estacionamento e a surpreendi com seu presente estacionado ao lado de meu carro.

- MEU DEUS, ENRICO! ISSO É UM...

- Sim. É seu presente de aniversário. Eu queria ter te dado no dia. Mas infelizmente, eu só pude encher o quarto de flores e rezar para que você acordasse.

- E funcionou. Afinal eu estou aqui, bem e acordada. Eu me lembro de ter te ouvido cantar parabéns para mim. Eu também fiz um pedido naquele dia e ele se realizou.

- O que você pediu?

- Que se eu conseguisse algum dia voltar, mesmo com alguma sequela, que você não desistisse de mim como muitos caras fazem numa situação dessa.

- Eu não vou te abandonar em situação nenhuma, garota. Põe isto nessa cabecinha rachada.

- Obrigada por ficar. - Dei um beijo em sua testa e voltamos ao assunto principal.

- E então, você gostou? Quer entrar nele?

- Eu quero é pilotar essa nave. Mas me contento em apenas entrar, por enquanto. Enrico esse carro é muito caro. Você enlouqueceu?

- Enlouqueci. De amor. Eu quero te dar um mundo todo e não só um carro. Eu queria o modelo mais novo. Mas me lembre de uma certa vez que você me disse que ele era um clássico porque aparecia no filme do 007 e da Tomb Raider. Então não pensei duas vezes para escolher seu presente.

Ela me agarrou e me encheu de beijos. Me agradeceu e parecia uma criança que acabara de ganhar a primeira bicicleta.
Eu havia comprado um Aston Martin DB9 branco. Aquele carro era a cara da Aylla. Empoderado, charmoso e que transmitia potência e luxo. Queria dar apenas o melhor para ela. Mesmo que fosse a falência. O que não era o caso, claro. Eu poderia comprar uma frota daquele carro e ainda assim continuaria milionário.

- Obrigada meu amor. Esse carro é demais. Precisamos estreia-lo logo. - Ela me deu uma piscada e me agarrou.

- Se controle mulher. Temos seguranças a nossa volta agora. Não se esqueça.

- Que droga. Nem posso mais te agarrar quando eu quiser.

- Claro que pode. Só não se empolgue muito.

- Se é assim...

Aylla realmente não sabia o significado da palavra não se empolgar, pois quase nos comemos dentro do carro e com os seguranças nos observando. Aquela ruiva era definitivamente minha perdição.

Vidas Cruzadas Parte IIIHistórias para pegar e não largar. Descubra agora