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Capítulo 36 - Aylla

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Alguns dias se passaram e eu me entreguei de corpo e alma para o trabalho. Embora trabalhasse diretamente com meu irmão, eu quase nunca o via no escritório e quando estava por lá, me evitava o máximo que podia.

- Aylla, preciso visitar uma obra agora, você vem comigo? - Emma disse sem entrar em meu escritório.

- Não vou Emma. Bem que eu queria sair um pouco, mas estou com muita dor na perna hoje.

- O que aconteceu?

- Enrico aconteceu. Inventamos de fazer algumas loucuras essa noite e o resultado foi uma dor daquelas no tornozelo.

- Qualquer dia desses, os bombeiros serão acionados para desenroscar vocês. É cada coisa que você apronta, sua maluca. Tome seus remédios. Logo estará melhor.

- Não quero me entupir de analgésicos. Você sabe bem porquê.

- Não pira amiga, só um remedinho para dor não te fará virar uma viciada novamente.

- Eu sei, mas isso é o que menos me incomoda, Emma. Não aguento mais usar sapatilha, ver as pessoas me olhando como se eu fosse uma inválida por ter que usar muletas e não poder dançar. Sinto tanta falta de dançar. Daria tudo para passar uma noite numa pista de dança novamente.

- Com o noivo que você tem, acho pouco provável que isso aconteça novamente, mesmo estando inteirinha.

- Não enche e para de pegar no pé do Enrico.

- Não estou pegando no pé dele. Amo meu cunhadinho. Mas você tem que concordar que ele é controlador. Está te levando presa a ele e te limitando. Não perca sua identidade, Aylla. Só isso que te peço. Agora preciso ir ou vou me atrasar. - Nos despedimos e tentei me concentrar. Missão impossível, me peguei pensando no que minha amiga disse, mas fui tirada de meus pensamentos quando novamente fui interrompida.

- Boa tarde dona Aylla, posso entrar? - Nico, nosso continuo entrou, trazendo uma tonelada de papéis e algumas caixas. Como os seguranças já o conheciam, deixou que ele entrasse.

- Claro Nico, quanta coisa. - me levantei, indo ajuda-lo a colocar as correspondências em cima da mesa e logo ele se retirou.

Fui abrindo tudo para ver do que se tratava e a maioria eram coisas relacionadas a trabalho ou propaganda. Resolvi abrir as caixas, pois fiquei curiosa para saber o que poderia ser. Afinal não me lembro de receber nenhuma caixa antes juntamente com documentações.

Em uma das caixas haviam apenas papéis picados e achei aquilo muito esquisito.

- Que estranho, acho que entregaram errado - indaguei a mim mesma.

Abri a outra e vi que tinha um pote dentro, porém não dava para ver seu conteúdo. Resolvi abrir de uma vez e matar minha curiosidade e dei um grito, pulando para trás.

Dentro estava lotado de sangue sugas. Fiquei paralisada, olhando para aquilo, até que sai da minha sala e fui até a sala de Isa.

Quando entrei, a peguei olhando fixamente para o celular, até que olhou para mim e começou a chorar.

- Isa, o que aconteceu? Eu nem conseguia falar sobre o que tinha acabado de acontecer comigo.

- KARIM!! - ela começou a grita, desesperada, me ignorando. - KARIM!!

- O que está acontecendo Isa? Fala comigo - eu dizia também ao gritos.

- Aylla, olha isso, olha o que me enviaram - ela chorava desesperada enquanto me mostrava a tela do celular. Fui andando de costas com as mãos na boca, sem acreditar no que tinha acabado de ler. Isa havia acabado de receber uma mensagem que dizia:

Vidas Cruzadas Parte IIIHistórias para pegar e não largar. Descubra agora