Me preparava para sair à procura de Aylla quando Ruth me chamou e praticamente me obrigou a sentar e comer algo. Fazia dois dias que não me alimentava, não tinha fome. Mas para não contrariá-la, já que também estava muito preocupada, decidi atendê-la. Conversávamos algumas futilidades, quando ela tocou no assunto do meu cavalo e como faríamos para cuidar dele, estando tão longe. A menção ao Pé de Pano me fez ter um rompante e naquele momento, descobri exatamente onde ela poderia estar e me amaldiçoei por não ter pensado naquela hipótese antes. Era obvio onde Aylla estaria todo aquele tempo. Como pude ser tão burro.
Peguei meu carro e dirigi sem parar e a mil por hora até chegar ao meu destino.
Entrei e a procurei por toda parte, mas não a encontrei. Estava próximo ao quintal dos fundos quando ouvi uma melodia bem baixinha vindo do lado de fora de nossa cabana e quando abri a porta, a encontrei sentada num balanço enorme. Segurava uma xícara de café nas mãos e olhava para o nada.
Me posicionei à sua frente e ela apenas ergueu a cabeça para me olhar. Seus olhos estavam tão inchados de chorar, que mal conseguia abri-los, as lágrimas ainda molhavam seu rosto e seu nariz de vermelho, estava quase roxo.
Sem dizer nada, indicou que eu me sentasse ao seu lado e apenas deitou sua cabeça em meu ombro. Passei o braço por ela e a apertei em mim. Aylla se agarrou em minha blusa e chorou sem parar, se deitando em meu colo depois de algum tempo e adormeceu ali mesmo.
Com todo cuidado, a peguei no colo e a levei até nossa cama. Ela estava machucada, sofrendo muito pela morte da amiga e não tinha nada que eu dissesse ou fizesse que a consolaria. Então apenas me deitei ao seu lado e a acomodei em meu peito. Finalmente estava conseguindo dormir depois de dias longe dela e com toda preocupação por não saber se estava bem ou se tinha feito algo contra si mesma.
Acordei e Aylla fazia carinho em meu rosto e me olhava sem piscar.
- Como você está, meu amor? - perguntei, tirando seus cabelos ruivos de seu rosto.
- Eu não sei. Estou anestesiada.
- Estou aqui agora, tudo vai ficar bem.
- Não vai. Não se iluda. As coisas só irão piorar. Meu pior pesadelo se concretizou e ele conseguiu por as mãos em alguém que eu amo. Ele não vai parar até chegar em mim. Conheço bem seu jogo.
- E qual é o jogo? Vamos pegá-lo assim que der as caras.
- Ele não virá até nós. Você conhece a história do flautista mágico? Ele não caçava os ratos, os faziam ir até ele. É isso que ele fará. Irá me atrair em sua armadilha. Ele está tocando essa flauta agora e é questão de tempo até me fazer chegar onde quer. Ele está atacando meu ponto fraco, que são todos que estão em minha volta.
- Você nem pense em ir até esse cara, nem pense numa coisa dessa. Ele não vai por as mãos em você de novo, prefiro morrer tentando te proteger do que permitir tal coisa. Se ele encostar em você, te matará.
- Ele já me matou. Ele fez exatamente o que estava em seus planos, me matou atravéz do nosso bebê e da Mel. Era para ter perdido a Emma e você o Brad também. O próximo passo será contra quem? É questão de tempo até atentar novamente contra um dos nossos. Você sabe tão bem quanto eu que o incêndio na casa dos seus pais não foi um acidente, não tente se enganar.
- Eu sei que não foi. Naquela noite a Isa havia levado uma sopa para eles jantarem, então não havia motivos para minha mãe ligar o fogão. Vamos provar o que realmente aconteceu.
- O que aconteceu é que aquele amaldiçoado está rindo da nossa cara neste exato momento, vendo o nosso desespero.
- Eu vou dar um jeito nisso de uma vez por todas.
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Vidas Cruzadas Parte III
Storie d'Amore. 🌹 Vós, que sofreis porque amais, amai ainda mais. Morrer de amor é viver dele 🌹 Enrico é o exemplo de que o amor, em sua magnitude, pode operar milagres. Mas, diante de situações e decisões a serem tomadas, ele se vê em uma luta interna q...
