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Eu vi o carro capotar antes de ouvir o estrondo

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Eu vi o carro capotar antes de ouvir o estrondo. A cena se desfez em um turbilhão de metal retorcido e fumaça, e por um momento, o tempo parou. O som do impacto foi tão ensurdecedor que quase me fez parar. Quase.

Mas eu não parei. Eu não poderia.

A GMC derrapou por um momento, cortando a curva com precisão, e eu acelerei mais ainda, não me importando com nada, só com a imagem de Alexis na minha mente, sendo arrastada para longe. A adrenalina invadiu cada parte do meu corpo, e o grito de "não" que saiu da minha garganta parecia ecoar junto ao som do carro capotando à frente. Eu sabia que a única coisa que importava naquele momento era chegar até ela.

Minha mão apertou o volante com tanta força que os dedos começaram a doer, mas eu não podia sentir nada além da urgência. O carro que acabara de capotar era como uma extensão do meu próprio pesadelo. Eu sabia que Alexis estava lá dentro, e isso me consumia. A visão do veículo girando no ar, a fumaça subindo, o metal se retorcendo — tudo aquilo era um lembrete do que estava em jogo.

Eu forcei o pé contra o acelerador até o fundo, ignorando a curva, ignorando qualquer risco. As ruas desertas de Chicago se tornaram um borrão enquanto a GMC cortava o asfalto como uma lâmina afiada, rasgando o caminho em direção àquela destruição. Cada segundo parecia uma eternidade, mas eu sabia que não havia escolha.

Porra! Eu não poderia perdê-la.

Por favor, esteja bem, esteja bem.

Quando finalmente cheguei ao local do acidente, o carro capotado estava em uma posição impossível. A fumaça ainda subia, e o som dos estalos do metal era abafado, mas eu sabia que precisava agir rápido. O ar parecia denso, quase impossível de respirar, e o medo se espalhou por mim como um veneno. Mas eu não ia permitir que isso me paralisasse. Eu não iria perder ela.

Parei bruscamente, e meu corpo se preparou para o pior. Pulei do carro, correndo em direção ao que restava do sedã. Meu coração batia em um ritmo frenético, mas havia algo mais forte que o medo — a necessidade de salvá-la. Mesmo sem saber o que encontraria, eu não podia hesitar.

Quando cheguei à lateral do veículo, encontrei o motorista, ainda imóvel dentro do carro, a cabeça encostada no volante. Ele estava inconsciente ou pior. Não me importei. Não era ele que eu precisava salvar.

Então, lá estava ela.

Alexis estava visivelmente desorientada, seu corpo ainda preso no cinto de segurança, a respiração fraca, seus olhos vagando na minha direção. Ela parecia... quebrada. Eu sabia que não tinha muito tempo antes que a situação se agravasse, mas a imagem dela ali, vulnerável e machucada, quase me destruiu.

— Alexis! — Chamei, a voz rouca, trêmula. — Fica comigo, porra.

Ela piscou algumas vezes, como se tentasse se concentrar no que estava acontecendo. Eu me aproximei dela o mais rápido que pude, meus dedos já indo direto para o cinto de segurança. A cena ao redor parecia um borrão — tudo o que eu conseguia ver era ela.

Dívida do Prazer - 1Onde histórias criam vida. Descubra agora