49

2.4K 119 6
                                        

Por que cirurgias precisam ser tão demoradas?

Ops! Esta imagem não segue nossas diretrizes de conteúdo. Para continuar a publicação, tente removê-la ou carregar outra.

Por que cirurgias precisam ser tão demoradas?

Era como se o universo tivesse apontando para mim e zombando da minha cara.

O único momento de alívio foi quando descobri que era doador universal.

Foi fácil demais, não é?

Pelo menos não precisamos de mais ninguém para ajudar. Eu sabia que, naquele momento, minha própria decisão havia sido a mais difícil, mas também a mais necessária. O medo de perder Alexis, o desespero ao ver o tempo passando como se fosse uma cruel tortura, agora estava me consumindo de outra maneira. Não podia mais fugir da responsabilidade que me fora dada. Era minha decisão, minha escolha, a vida dela dependia de mim.

Mas, ao mesmo tempo, como se a vida já não estivesse jogando o suficiente de peso sobre meus ombros, eu estava ali, no hospital, aguardando uma notícia que não vinha. Cada segundo parecia uma eternidade, e eu me sentia impotente, parado no mesmo lugar, enquanto o mundo seguia.

O relógio na parede parecia zombar de mim. A cada movimento, os ponteiros avançavam, mas o tempo parecia parado. Eu sentia o peso da espera, a agonia de não saber se a decisão que tomei seria suficiente, se ela ainda estava lá, lutando pela vida. O frio na minha barriga, a tensão nos meus ombros… era como se o peso de toda a responsabilidade estivesse se acumulando, tornando tudo ainda mais insuportável.

Eu olhei para os meus pais, ambos silenciosos, ambos com seus próprios demônios para lutar. Minha mãe estava sentada, as mãos entrelaçadas, e meu pai, de pé, com uma expressão que só ele sabia esconder, com o olhar distante. Era como se todos estivéssemos tentando preencher o vazio de incerteza, mas não conseguíamos.

Eu me levantei de repente, como se o movimento fosse me tirar daquele lugar sufocante, mas, ao invés disso, só me trouxe mais angústia. Passei os dedos pelos cabelos, tentando pensar em algo que pudesse fazer, em alguma coisa que mudasse o curso dos acontecimentos. Mas não havia nada. Nada além da espera. Eu não tinha controle sobre nada, além de minha própria decisão.

Alguém se aproximou, a presença confortável pairando perto de mim.

Balancei a cabeça, levanta do o rosto. Vittoria estava na minha frente, com um sorriso fraco.

— Como ela está? — Minha irmã me perguntou.

Meu pai decidiu avisar a ela sobre o quadro da melhor amiga quando percebeu que era mais grave do que pensávamos.

Então Vittoria entrou no primeiro voo de Nova York para Chicago porque não queria esperar que o avião particular fosse até ela.

Eu suspirei, tentando colocar as palavras certas na minha boca, mas tudo parecia embaçado, como se a pressão da situação tivesse removido a clareza das coisas.

— Não sabemos… — minha voz saiu mais baixa do que eu queria, e eu a odiei por isso. Eu odiava não ter as respostas, odiava estar tão perdido. — Está em cirurgia… e a espera parece não ter fim.

Dívida do Prazer - 1Onde histórias criam vida. Descubra agora