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Uma semana era muito tempo

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Uma semana era muito tempo. Uma semana era muito tempo para esperar. Tempo demais para viver naquela sala de hospital, preso entre a esperança e o medo. Durante aqueles dias, eu perdi a noção das horas, do sol que entrava pela janela e se escondia atrás do horizonte, da vida lá fora que continuava como se nada tivesse acontecido.

Eu poderia dizer que tenho dormido nessa cadeira desconfortável ao lado da cama dela, mas seria mentira. Há uma semana eu não dormia, embora minha mãe estivesse insistindo bastante que eu fosse para casa e ela ficaria aqui.

Uma enfermeira entrou no quarto e começou a trocar a ajustar o medicamento. Alexis estava sendo muito bem cuidada, mas isso não fazia o vazio no meu peito diminuir.

— Tem um quartinho de descanso nos fundos. — Disse a enfermeira — Caso queira descansar.

— Não, obrigado. — Respondi, sem tirar os olhos de Alexis. Minha voz saiu baixa, quase um sussurro. Era a mesma resposta que eu tinha dado nos últimos sete dias para qualquer pessoa que sugerisse que eu me afastasse, ainda que por um instante.

— Mas você não sai daqui há dias, eu sequer vi você pregar os olhos ou comer.

Revirei os olhos com a inconveniência da conversa.

Todos sabiam que eu não sairia daquele lugar.

Alexis estava em coma. Era difícil entender que eu não poderia nem piscar?

— Se eu realmente quisesse dormir, eu já teria feito isso quando todos me aconselharam. Não preciso de uma estranha me dizendo o que fazer.

A enfermeira parecia não esperar uma resposta tão ríspida e, por um momento, hesitou. Eu sentia o peso da minha própria raiva, a frustração e o desespero que eu tentava esconder. Mas não conseguia. A solidão e a impotência estavam me esmagando, e ninguém parecia entender.

Ela não disse mais nada, apenas fez o que precisava e saiu do quarto, fechando a porta com suavidade. O silêncio retomou seu lugar, e eu voltei a olhar para Alexis. Ela ainda estava ali, imóvel, com os olhos fechados, mas havia algo de reconfortante no fato de ela estar respirando. Pelo menos ela ainda estava aqui. Isso era tudo o que eu podia pedir.

Me levantei da cadeira, um pouco tonto pela postura prolongada, e me aproximei da cama dela. Passei a mão por seus cabelos, sentindo a textura suave entre meus dedos, algo tão simples, mas que me dava uma sensação mínima de conexão. Eu queria tanto que ela acordasse. Queria ouvir a sua voz de novo, vê-la sorrindo, irritando-se com alguma piada idiota que eu fizesse. Eu precisava disso.

Em seguida segurei em sua mão, massageando contra a minha e tentando ignorar o frio que contrastava com a memória do calor que ela sempre emanava. Alexis era um furacão de energia, alguém que enchia qualquer lugar com sua presença, e vê-la assim, tão quieta e vulnerável, era como olhar para um céu sem estrelas.

Dívida do Prazer - 1Onde histórias criam vida. Descubra agora